Como Investigar uma Empresa Antes de Fechar Contrato: Guia Completo para Empreendedores

Bruno Fraga8 min de leitura
Empreendedor investigando empresa antes de fechar contrato - conceito de due diligence

Como Investigar uma Empresa Antes de Fechar Contrato: Guia Completo para Empreendedores

O Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro semestre de 2025 — um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior. E aqui está o dado que deveria tirar o sono de qualquer empreendedor: três em cada quatro vítimas de ataques e golpes corporativos são pequenas e médias empresas.

Se você está prestes a fechar contrato com um novo fornecedor, formar uma parceria comercial ou entrar em uma sociedade, este guia é para você. Vou mostrar exatamente o que investigar, onde buscar informações e como identificar os sinais de alerta que podem salvar sua empresa de um prejuízo milionário.

Porque aqui está a verdade inconveniente: a maioria dos empreendedores brasileiros não faz nenhuma verificação antes de fechar negócio. E quando o problema aparece — e vai aparecer — já é tarde demais.

Por que investigar uma empresa antes de fechar contrato?

Vamos começar com números que machucam.

Segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025 da Serasa Experian, 51% dos brasileiros foram vítimas de alguma fraude em 2024. Desses, mais da metade (54,2%) teve prejuízo financeiro direto. A média de perdas? R$ 6.311 por pessoa. Agora imagine esse número multiplicado em uma relação empresarial — contratos de fornecimento, parcerias de longo prazo, sociedades.

A Grant Thornton, em sua Pesquisa Diagnóstico das Fraudes no Brasil, revelou dados ainda mais alarmantes para o ambiente corporativo:

  • 63% das empresas identificaram pelo menos um caso de fraude nos últimos 12 meses
  • Em 40% dos casos, as perdas foram superiores a R$ 500 mil — chegando a mais de R$ 10 milhões em situações extremas
  • Apenas 7% das empresas conseguiram recuperar mais de 20% do valor perdido
  • Leu direito: 93% das empresas que sofrem fraude recuperam menos de um quinto do prejuízo. O dinheiro vai embora — e quase nunca volta.

    O custo de não fazer due diligence

    Aqui está o paradoxo que muitos empreendedores enfrentam: investigar uma empresa antes de fechar negócio parece trabalhoso e caro. Mas o custo de não investigar é infinitamente maior.

    Estudos de due diligence da EY mostram que empresas que investem em processos de verificação prévia conseguem reduzir significativamente as contingências legais após fechamento de negócios. Em outras palavras: quem investiga antes gasta menos depois.

    Para uma PME, isso pode significar a diferença entre crescer e falir. Um único fornecedor problemático pode:

  • Não entregar o prometido e travar sua operação
  • Gerar passivos trabalhistas que respingam em você
  • Envolver sua empresa em esquemas de lavagem de dinheiro sem você saber
  • Destruir sua reputação por associação
  • E o pior: você pode ser responsabilizado judicialmente por não fazer a devida diligência na escolha de parceiros.

    O que você consegue descobrir sobre uma empresa (e o que geralmente escapa)

    A consulta de CNPJ na Receita Federal é o primeiro passo que a maioria dos empreendedores dá. E é um bom começo — mas está longe de ser suficiente.

    O que a consulta básica de CNPJ revela

    Acessando o site da Receita Federal, você consegue verificar:

  • Razão social e nome fantasia
  • Data de abertura
  • Natureza jurídica
  • Situação cadastral (ativa, inapta, suspensa, baixada)
  • Endereço
  • Atividade principal (CNAE)
  • Quadro de sócios e administradores
  • Essas informações são úteis para uma verificação inicial. Uma empresa com situação cadastral "inapta" ou "baixada" já é um sinal claro de problema. Mas a ausência de irregularidades no cadastro não significa que a empresa é confiável.

    O que a consulta básica NÃO mostra

    É aqui que mora o perigo. A consulta simples de CNPJ não revela:

  • Processos judiciais em andamento (trabalhistas, cíveis, tributários)
  • Dívidas e protestos em cartório
  • Histórico dos sócios em outras empresas (falidas, fraudulentas, com dívidas)
  • Conexões societárias ocultas — quando os verdadeiros donos se escondem atrás de "laranjas"
  • Vínculos com Pessoas Politicamente Expostas (PEPs) — que podem indicar risco de corrupção
  • Situação financeira real da empresa
  • Reclamações e avaliações de clientes e fornecedores anteriores
  • Um CNPJ "limpo" na Receita pode esconder uma empresa afundada em dívidas, com dezenas de processos trabalhistas e sócios com histórico de falências fraudulentas.

    Conexões societárias ocultas: o que são e por que importam

    Este é um dos pontos mais negligenciados — e mais perigosos.

    Imagine que você está negociando com a "Empresa ABC Ltda.". O quadro societário mostra dois sócios com CPFs limpos. Parece seguro.

    Mas o que você não sabe é que esses sócios são "laranjas" — pessoas que emprestam seus nomes para ocultar os verdadeiros controladores. E os verdadeiros donos têm histórico de empresas que fecharam com dívidas milionárias, processos por estelionato e até envolvimento em esquemas de corrupção.

    Identificar essas conexões ocultas exige cruzamento de dados de múltiplas fontes: participações societárias, vínculos familiares, endereços em comum, histórico de atuação. É um trabalho que, até pouco tempo, só grandes corporações com departamentos de compliance conseguiam fazer.

    7 pontos essenciais para investigar antes de fechar negócio

    Agora, vamos ao prático. Se você está prestes a fechar um contrato relevante, estes são os sete pontos que precisa verificar.

    1. Situação cadastral e regularidade do CNPJ

      O que verificar:
    • Situação cadastral na Receita Federal (ativa, regular)
    • Compatibilidade entre CNAE e o serviço/produto oferecido
    • Tempo de existência da empresa
    • Alterações recentes no quadro societário ou endereço

    Onde consultar: Portal da Receita Federal (consulta CNPJ)

      Red flags:
    • Empresa com menos de 2 anos operando em área que exige experiência
    • Mudanças frequentes de endereço ou sócios
    • CNAE incompatível com a atividade proposta

    2. Processos judiciais (trabalhistas, tributários, cíveis)

      O que verificar:
    • Processos trabalhistas no TST e TRTs
    • Execuções fiscais na Justiça Federal
    • Ações cíveis nos tribunais estaduais
    • Processos criminais envolvendo sócios ou administradores

    Por que importa: Uma empresa com dezenas de processos trabalhistas provavelmente não cumpre obrigações legais. Se não paga funcionários, por que pagaria você? Execuções fiscais indicam problemas de fluxo de caixa — ou pior, sonegação fiscal que pode gerar corresponsabilização.

      Red flags:
    • Múltiplos processos trabalhistas recentes
    • Execuções fiscais de valores elevados
    • Processos por fraude, estelionato ou apropriação indébita

    3. Dívidas e protestos em cartório

      O que verificar:
    • Protestos em cartórios de todo o país
    • Negativações em bureaus de crédito (Serasa, SPC)
    • Cheques sem fundos

    Onde consultar: Centrais de protesto estaduais, consultas de crédito empresarial

      Red flags:
    • Protestos recentes e não regularizados
    • Padrão de protestos recorrentes (indica má gestão de caixa)
    • Valores protestados incompatíveis com o porte declarado

    4. Quadro societário e histórico dos sócios

      O que verificar:
    • Quem são os sócios e qual sua participação
    • Histórico dos sócios em outras empresas
    • Se há empresas anteriores com situação irregular
    • Processos judiciais pessoais dos sócios

    Por que importa: Sócios com histórico de empresas falidas, dívidas não pagas ou processos por fraude tendem a repetir o padrão. Se o empresário abandonou três empresas com dívidas nos últimos cinco anos, qual a probabilidade de a quarta ser diferente?

      Red flags:
    • Sócios com múltiplas empresas baixadas ou inaptas
    • Histórico de falências não explicadas
    • Processos pessoais por fraude, estelionato ou má-fé
    • Sócios que aparecem em dezenas de empresas simultaneamente (possíveis laranjas)

    5. Conexões com Pessoas Politicamente Expostas (PEPs)

      O que verificar:
    • Se sócios ou administradores ocupam ou ocuparam cargos públicos
    • Se há familiares de políticos no quadro societário
    • Doações eleitorais feitas pela empresa ou sócios

    Por que importa: Conexões com PEPs não são automaticamente ruins — mas exigem atenção redobrada. Empresas ligadas a políticos podem estar envolvidas em esquemas de corrupção, direcionamento de licitações ou lavagem de dinheiro. A Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) pode responsabilizar sua empresa por se beneficiar, mesmo que indiretamente, de atos ilícitos de parceiros.

      Red flags:
    • Sócios com cargos públicos atuais (conflito de interesse)
    • Crescimento inexplicável da empresa em período eleitoral
    • Contratos governamentais como principal fonte de receita

    6. Reputação online e histórico de reclamações

      O que verificar:
    • Avaliações no Google e redes sociais
    • Reclamações no Reclame Aqui e Consumidor.gov.br
    • Menções em notícias e portais de negócios
    • Depoimentos de ex-funcionários (Glassdoor, Indeed)

    Por que importa: A reputação digital é um termômetro da operação real. Empresas com padrões recorrentes de reclamações sobre atrasos, qualidade ou atendimento provavelmente terão os mesmos problemas com você.

      Red flags:
    • Nota baixa no Reclame Aqui sem esforço de resolução
    • Padrão de reclamações sobre o mesmo problema
    • Avaliações de funcionários apontando problemas de gestão ou pagamento
    • Notícias negativas em portais de credibilidade

    7. Saúde financeira e capacidade de entrega

      O que verificar:
    • Balanços e demonstrativos financeiros (se disponíveis)
    • Score de crédito empresarial
    • Capacidade operacional para cumprir o contrato
    • Referências comerciais de clientes anteriores

    Por que importa: Uma empresa pode estar "limpa" em todos os outros aspectos, mas simplesmente não ter capacidade de entregar o que promete. Verificar a saúde financeira e a estrutura operacional evita contratar quem não pode cumprir.

      Red flags:
    • Empresa muito pequena para o porte do contrato
    • Relutância em fornecer referências comerciais
    • Crescimento incompatível com estrutura declarada
    • Margens de preço muito abaixo do mercado (podem indicar intenção de golpe)

    Ferramentas gratuitas vs. profissionais: o que usar?

    Você consegue fazer uma investigação básica usando ferramentas gratuitas. Mas existem limitações importantes — e em alguns casos, vale muito a pena investir em uma análise profissional.

    O que você consegue gratuitamente

    Protestos: Algumas centrais estaduais oferecem consulta gratuita limitada

    Reputação: Reclame Aqui, Google Reviews, Glassdoor

    Limitações das ferramentas gratuitas

  • Fragmentação: Você precisa consultar dezenas de fontes diferentes
  • Tempo: Uma investigação manual completa pode levar dias
  • Cobertura: Muitas bases de dados são pagas ou de acesso restrito
  • Cruzamento: Identificar conexões ocultas é praticamente impossível manualmente
  • Atualização: Dados podem estar desatualizados
  • Para contratos de baixo valor com fornecedores conhecidos, uma verificação gratuita pode ser suficiente. Mas para parcerias estratégicas, sociedades ou contratos de alto valor, as limitações são arriscadas.

    Quando investir em investigação profissional

    Considere uma análise profissional quando:

  • O contrato representar mais de 10% do seu faturamento
  • Você estiver entrando em uma sociedade ou joint venture
  • A empresa parceira for responsável por parte crítica da sua operação
  • Houver qualquer sinal de alerta nos dados públicos
  • O negócio envolver setores de alto risco (construção civil, importação, licitações)
  • Uma investigação profissional que antes custava dezenas de milhares de reais — acessível apenas para grandes corporações — hoje pode ser feita de forma acessível com o apoio de inteligência artificial especializada.

    Como a Inteligência Artificial revoluciona a investigação empresarial

    A tecnologia mudou completamente o jogo da due diligence. O que antes exigia equipes de analistas trabalhando por semanas agora pode ser feito em minutos — com mais precisão e cobertura.

    Cruzamento de dados em segundos

    Uma plataforma de IA como o Sherlocker consegue, em segundos:

  • Consultar dezenas de bases de dados simultaneamente
  • Cruzar informações de CNPJs, CPFs e endereços
  • Identificar padrões que seriam impossíveis de detectar manualmente
  • Rastrear conexões societárias em múltiplos níveis
  • Aquele trabalho de semanas que mencionei? Agora leva literalmente minutos.

    Identificação automática de red flags

    Sistemas de IA treinados em investigação empresarial reconhecem padrões de risco automaticamente:

  • Sócios que aparecem em múltiplas empresas problemáticas
  • Endereços compartilhados por dezenas de CNPJs diferentes
  • Alterações societárias suspeitas em períodos específicos
  • Conexões não óbvias entre pessoas e empresas
  • Esses padrões, invisíveis em consultas manuais, são identificados instantaneamente pelo sistema.

    Relatórios prontos para decisão

    Em vez de planilhas confusas com dados brutos, você recebe um relatório estruturado:

  • Resumo da situação da empresa
  • Pontos de atenção identificados
  • Histórico detalhado dos sócios
  • Mapa de conexões societárias
  • Recomendação de risco
  • Com esse relatório em mãos, sua decisão de fechar ou não o contrato é baseada em dados concretos — não em intuição ou esperança.

    Checklist prático: o que verificar antes de assinar

    Use esta lista antes de fechar qualquer contrato relevante:

    Verificação básica (faça sempre):

  • ☐ CNPJ ativo e regular na Receita Federal
  • ☐ Tempo de existência compatível com a operação
  • ☐ CNAE adequado ao serviço/produto oferecido
  • ☐ Consulta no Reclame Aqui e Google Reviews
  • ☐ Pesquisa do nome da empresa + "fraude" / "golpe" / "processo"
  • Verificação intermediária (contratos de médio valor):

  • ☐ Consulta de processos trabalhistas nos TRTs
  • ☐ Verificação de protestos
  • ☐ Pesquisa do histórico dos sócios principais
  • ☐ Referências com clientes anteriores
  • ☐ Análise do contrato social (objeto, capital, alterações)
  • Verificação completa (contratos estratégicos):

  • ☐ Background check completo dos sócios
  • ☐ Mapeamento de conexões societárias
  • ☐ Verificação de vínculos com PEPs
  • ☐ Análise de processos em todas as esferas
  • ☐ Verificação de capacidade financeira e operacional
  • ☐ Relatório de due diligence profissional
  • Para a verificação completa, uma plataforma de investigação empresarial com IA como o Sherlocker automatiza todo o processo — você insere o CNPJ e recebe o relatório completo em minutos.

    Conclusão: investigar é proteger seu negócio

    O Brasil tem uma das maiores taxas de fraudes empresariais do mundo. A cada segundo, acontecem múltiplas tentativas de golpe. E as PMEs são o alvo preferido — por terem menos recursos de defesa e menos capacidade de absorver prejuízos.

    A boa notícia é que você pode se proteger. Com as ferramentas certas e um processo de verificação estruturado, é possível identificar parceiros problemáticos antes de fechar negócio.

    Lembre-se dos números: 93% das empresas que sofrem fraude não recuperam sequer um quinto do prejuízo. A prevenção não é um custo — é o melhor investimento que você pode fazer.

    Antes de assinar aquele próximo contrato, pergunte-se: eu realmente conheço essa empresa?

    Se a resposta for "não tenho certeza", você já sabe o que fazer.


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    Escrito por

    Bruno Fraga

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