Em 2023, o Brasil ocupava a 104ª posição no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Os números revelam uma realidade que gestores conhecem de perto: operar no mercado brasileiro exige blindagem contra riscos de suborno — tanto para evitar envolvimento quanto para não se tornar vítima. A ISO 37001 surgiu como resposta global a esse desafio, e empresas que a implementam descobrem algo além da conformidade: vantagem competitiva real.
Este guia investiga tudo sobre a norma ISO 37001, desde seus requisitos técnicos até o processo de certificação, passando por custos reais e a conexão crítica com a Lei Anticorrupção brasileira. Se sua empresa busca proteção robusta contra riscos de suborno, as próximas seções mostram exatamente como construí-la.
O Que É ISO 37001?
A ISO 37001 é uma norma internacional que especifica requisitos e fornece orientações para estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão antissuborno. Publicada originalmente em 2016 pela International Organization for Standardization (ISO), ela representa o primeiro padrão global certificável dedicado exclusivamente ao combate ao suborno.
O objetivo central é ajudar organizações a prevenir, detectar e responder ao suborno em todas as suas formas — seja praticado pela própria organização, por funcionários ou por terceiros que atuam em seu nome.
Histórico: Da Versão 2016 à Atualização 2025
A primeira versão da ISO 37001 foi publicada em outubro de 2016, fruto de cinco anos de desenvolvimento envolvendo especialistas de mais de 60 países. No Brasil, a ABNT publicou a versão traduzida como ABNT NBR ISO 37001.
Em fevereiro de 2025, a ISO lançou uma revisão significativa da norma. A ISO 37001:2025 incorpora lições aprendidas na última década e alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. Entre as principais mudanças:
- Responsabilidade da liderança ampliada: A nova versão retira da alta direção a posição passiva de "exemplo" e atribui responsabilidade contínua, rastreável e mensurável sobre o funcionamento do sistema antissuborno.
- Integração com sustentabilidade: Novas cláusulas conectam o combate ao suborno com princípios ESG (Environmental, Social, Governance).
- Contexto organizacional expandido: As cláusulas 4.1 e 4.2 foram revisadas para exigir análise mais profunda das partes interessadas e seus impactos.
Organizações já certificadas na versão 2016 têm até 28 de fevereiro de 2027 para concluir a transição para a ISO 37001:2025.
Por Que a ISO 37001 Foi Criada?
O suborno representa um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico sustentável. Segundo estimativas do Banco Mundial, mais de US$ 1 trilhão é pago em subornos anualmente no mundo. No Brasil, investigações como a Lava Jato revelaram esquemas que desviaram bilhões de reais dos cofres públicos.
Antes da ISO 37001, existiam legislações nacionais (como a Lei Anticorrupção brasileira e o UK Bribery Act) e diretrizes setoriais, mas nenhum padrão internacional certificável que permitisse às organizações demonstrar seu compromisso antissuborno de forma padronizada e auditável.
A norma preenche essa lacuna ao fornecer um framework reconhecido globalmente que pode ser verificado por terceiros independentes.
ISO 37001 vs Lei Anticorrupção Brasileira (Lei 12.846/2013)
Uma dúvida frequente entre gestores brasileiros: qual a relação entre a ISO 37001 e a Lei 12.846/2013 (Lei Anticorrupção)? Embora ambas tratem de combate à corrupção, têm naturezas e escopos distintos que se complementam.
Diferenças Fundamentais
| Aspecto | Lei 12.846/2013 | ISO 37001 |
|---|---|---|
| Natureza | Legislação nacional obrigatória | Norma voluntária internacional |
| Escopo | Atos contra administração pública | Suborno em geral (público e privado) |
| Abordagem | Responsabilização objetiva | Prevenção e gestão de riscos |
| Sanções | Multas, publicação de condenação, proibição de incentivos | Não aplicável (norma de gestão) |
| Verificação | Autoridades públicas | Organismos certificadores acreditados |
Como Se Complementam
A Lei Anticorrupção brasileira estabelece a responsabilidade objetiva das empresas por atos lesivos contra a administração pública. Isso significa que a empresa responde independentemente de culpa — basta provar que o ato ocorreu e beneficiou a organização.
O Decreto 8.420/2015, que regulamenta a lei, introduziu o conceito de Programa de Integridade como atenuante de penalidades. Empresas com programas robustos podem ter multas reduzidas em até 4%.
É aqui que a ISO 37001 entra como aliada estratégica. A certificação demonstra de forma objetiva e auditável que a empresa possui um sistema de gestão antissuborno implementado. Em processos administrativos ou judiciais, isso representa evidência concreta de que a organização tomou medidas razoáveis para prevenir condutas ilícitas.
O Programa de Integridade do Decreto 8.420/2015
O decreto brasileiro lista 16 parâmetros para avaliação de programas de integridade. A ISO 37001 cobre todos eles e vai além:
- Comprometimento da alta direção
- Padrões de conduta e políticas
- Controles internos
- Treinamento contínuo
- Análise de riscos
- Registros contábeis confiáveis
- Controles em processos licitatórios
- Independência do setor de integridade
- Canais de denúncia
- Medidas disciplinares
- Procedimentos de remediação
- Due diligence de terceiros
- Verificações em fusões e aquisições
- Monitoramento contínuo
- Transparência em doações
- Transparência em patrocínios
A certificação ISO 37001 funciona como um "selo" de que esses requisitos estão não apenas documentados, mas efetivamente implementados e auditados.
Requisitos da ISO 37001: O Que a Norma Exige
A ISO 37001 segue a estrutura de alto nível (HLS) comum a todas as normas de sistemas de gestão ISO, o que facilita a integração com outros sistemas como ISO 9001 (Qualidade) e ISO 27001 (Segurança da Informação).
Contexto da Organização (Cláusula 4)
A organização deve determinar questões internas e externas relevantes para seu propósito que possam afetar sua capacidade de alcançar os objetivos do sistema antissuborno. Isso inclui:
- Identificar partes interessadas relevantes (acionistas, clientes, reguladores, comunidade)
- Compreender necessidades e expectativas dessas partes
- Determinar o escopo do sistema de gestão
- Avaliar riscos de suborno específicos da organização
A versão 2025 ampliou esse requisito para incluir considerações de sustentabilidade e impacto social.
Liderança (Cláusula 5)
A alta direção deve demonstrar liderança e comprometimento ativo — não basta delegar. Entre as responsabilidades:
- Aprovar e comunicar a política antissuborno
- Assegurar integração dos requisitos nos processos de negócio
- Garantir recursos adequados
- Promover melhoria contínua
- Apoiar outros gestores em suas áreas de responsabilidade
A norma exige também a designação de uma função de compliance antissuborno com autoridade e independência adequadas.
Planejamento (Cláusula 6)
A organização deve conduzir uma avaliação de riscos de suborno abrangente. Esse é um dos requisitos mais críticos e envolve:
- Identificar categorias de risco (geográfico, setorial, transacional, de parceiros)
- Avaliar probabilidade e impacto de cada risco
- Priorizar riscos para tratamento
- Definir objetivos antissuborno mensuráveis
- Planejar ações para abordar riscos e oportunidades
Apoio (Cláusula 7)
Os requisitos de apoio incluem:
- Recursos: humanos, financeiros, tecnológicos adequados
- Competência: pessoal com conhecimento e habilidades necessárias
- Conscientização: todos devem conhecer a política e suas responsabilidades
- Comunicação: processos para comunicação interna e externa
- Informação documentada: políticas, procedimentos, registros
O treinamento é especialmente enfatizado. Todos os colaboradores devem receber treinamento apropriado ao seu nível de exposição a riscos de suborno.
Operação (Cláusula 8)
Esta é a seção mais extensa e detalha os controles operacionais:
Due diligence: A norma exige avaliação prévia de parceiros comerciais, agentes, fornecedores e outros terceiros. O nível de diligência deve ser proporcional ao risco identificado. Para relacionamentos de alto risco, isso pode incluir verificação de antecedentes, análise de estrutura societária e monitoramento contínuo.
Controles financeiros e não-financeiros: Segregação de funções, limites de aprovação, revisão de pagamentos atípicos, controle de despesas de hospitalidade e presentes.
Controles sobre parceiros: Cláusulas contratuais antissuborno, direito de auditoria, rescisão por violação.
Gestão de presentes, hospitalidade e doações: Políticas claras sobre o que é aceitável, processos de aprovação, registro de todas as ocorrências.
Canal de denúncias: Mecanismo confidencial (idealmente anônimo) para relato de preocupações, com proteção contra retaliação.
Investigação e tratamento: Procedimentos para investigar denúncias e alegações, com medidas corretivas e disciplinares quando apropriado.
Avaliação de Desempenho (Cláusula 9)
A organização deve monitorar, medir, analisar e avaliar o sistema de gestão:
- Indicadores de desempenho antissuborno
- Auditorias internas periódicas
- Análise crítica pela direção
Melhoria (Cláusula 10)
Quando não conformidades são identificadas, a organização deve:
- Reagir e controlar
- Avaliar necessidade de ações corretivas
- Implementar ações necessárias
- Analisar eficácia das ações
- Atualizar riscos e oportunidades se necessário
Como Implementar a ISO 37001: Passo a Passo
A implementação de um sistema de gestão antissuborno é um projeto que exige planejamento cuidadoso. O cronograma varia de 4 a 18 meses dependendo do porte e complexidade da organização.
Etapa 1: Diagnóstico Inicial (Gap Analysis)
Antes de qualquer ação, é fundamental entender onde a organização está. O gap analysis compara a situação atual com os requisitos da norma:
- Mapear políticas e controles existentes
- Identificar lacunas em relação aos requisitos
- Avaliar maturidade do ambiente de controle
- Priorizar gaps por criticidade
- Estimar esforço de implementação
Muitas organizações contratam consultorias especializadas para essa fase, mas equipes internas capacitadas também podem conduzir o diagnóstico.
Etapa 2: Avaliação de Riscos de Suborno
Com o diagnóstico em mãos, a próxima etapa é a avaliação formal de riscos:
- Riscos geográficos: operações em países com alta percepção de corrupção
- Riscos setoriais: indústrias mais expostas (construção, energia, saúde)
- Riscos transacionais: licitações, licenças, autorizações governamentais
- Riscos de parceiros: agentes comerciais, intermediários, fornecedores
- Riscos de projeto: grandes contratos, joint ventures
O resultado é uma matriz de riscos que orientará a intensidade dos controles em cada área.
Etapa 3: Desenvolvimento de Políticas e Procedimentos
Baseado nos riscos identificados, a organização desenvolve ou atualiza:
- Política antissuborno (aprovada pela alta direção)
- Código de conduta com diretrizes específicas
- Procedimentos de due diligence para terceiros
- Política de presentes, hospitalidade e despesas
- Procedimentos de contratação e gestão de fornecedores
- Regras para doações e patrocínios
- Procedimento de canal de denúncias
- Procedimento de investigação interna
A documentação deve ser clara, prática e acessível a todos os níveis da organização.
Etapa 4: Implementação de Controles
Com políticas definidas, é hora de operacionalizar:
- Configurar fluxos de aprovação em sistemas
- Implementar segregação de funções
- Ativar canal de denúncias
- Estabelecer rotinas de monitoramento
- Integrar due diligence nos processos de compras e parcerias
- Definir indicadores de desempenho
Nesta fase, a automação faz diferença significativa. Processos manuais de due diligence de fornecedores tendem a ser demorados, inconsistentes e sujeitos a falhas. Ferramentas de investigação empresarial automatizam verificações de antecedentes, análise de estrutura societária e monitoramento contínuo — requisitos explícitos da ISO 37001.
Etapa 5: Treinamento da Equipe
O sistema só funciona se as pessoas entenderem suas responsabilidades:
- Treinamento geral para todos os colaboradores
- Treinamento específico para áreas de maior risco (comercial, compras, financeiro)
- Capacitação aprofundada para a função de compliance
- Treinamento da alta direção
- Reciclagem periódica
O treinamento deve ser documentado e sua eficácia avaliada através de testes ou simulações.
Etapa 6: Auditoria Interna
Antes de buscar a certificação, a organização deve conduzir pelo menos um ciclo de auditoria interna:
- Verificar conformidade com a norma
- Identificar não conformidades remanescentes
- Testar eficácia dos controles
- Recomendar melhorias
- Preparar evidências para a certificação
Auditores internos devem ser independentes das áreas auditadas. Muitas organizações treinam equipes multidisciplinares ou contratam auditores externos para essa função.
Etapa 7: Certificação
Com o sistema implementado e testado, a organização está pronta para a certificação externa.
Processo de Certificação ISO 37001
A certificação é conduzida por organismos certificadores acreditados. No Brasil, os principais incluem Bureau Veritas, TÜV NORD, BSI, SGS e Fundação Vanzolini.
Escolha do Organismo Certificador
Critérios para seleção:
- Acreditação reconhecida (INMETRO ou equivalente internacional)
- Experiência no setor de atuação da empresa
- Presença geográfica adequada
- Reputação no mercado
- Custo-benefício
É permitido (e recomendável) solicitar propostas de múltiplos organismos.
Auditoria Fase 1: Análise Documental
A primeira fase avalia a prontidão da organização:
- Revisão da documentação do sistema
- Verificação do escopo proposto
- Análise da avaliação de riscos
- Avaliação da política e objetivos
- Identificação de áreas de preocupação
A Fase 1 geralmente é conduzida remotamente ou com visita breve às instalações. O resultado indica se a organização está pronta para a Fase 2 ou se há gaps que precisam ser tratados antes.
Auditoria Fase 2: Verificação In Loco
Esta é a auditoria completa de certificação:
- Verificação da implementação efetiva dos controles
- Entrevistas com colaboradores de diversos níveis
- Teste de registros e evidências
- Análise de casos práticos (presentes recebidos, due diligence realizadas, denúncias tratadas)
- Verificação de ações corretivas de auditorias internas
A duração depende do escopo e complexidade, variando de 2 a 10 dias de auditoria.
Emissão do Certificado
Se não houver não conformidades maiores, o certificado é emitido com validade de 3 anos. Não conformidades menores devem ser tratadas em prazo definido (geralmente 90 dias) e verificadas na próxima auditoria.
Auditorias de Manutenção e Recertificação
O ciclo de certificação inclui:
- Ano 1: Auditoria de manutenção (parcial)
- Ano 2: Auditoria de manutenção (parcial)
- Ano 3: Auditoria de recertificação (completa)
As auditorias de manutenção verificam amostra dos requisitos e acompanham o tratamento de não conformidades anteriores.
Custos e Tempo de Implementação
Transparência sobre investimentos ajuda no planejamento. Os valores variam significativamente por porte e complexidade.
Timeline por Porte de Empresa
| Porte | Colaboradores | Timeline Típico |
|---|---|---|
| Pequena empresa | Até 50 | 4-6 meses |
| Média empresa | 50-500 | 6-12 meses |
| Grande empresa | 500-5.000 | 9-15 meses |
| Corporação | 5.000+ | 12-18 meses |
Esses prazos consideram implementação dedicada. Projetos com menos prioridade ou recursos podem levar mais tempo.
Custos de Consultoria
Valores de mercado para projetos de implementação:
| Porte | Faixa de Investimento |
|---|---|
| Pequena empresa | R$ 25.000 - R$ 60.000 |
| Média empresa | R$ 60.000 - R$ 150.000 |
| Grande empresa | R$ 150.000 - R$ 300.000 |
| Corporação | R$ 250.000 - R$ 500.000+ |
Organizações com equipes internas experientes podem reduzir significativamente esses valores conduzindo o projeto internamente com suporte pontual de consultoria.
Custos de Certificação
As taxas dos organismos certificadores variam por escopo e dias de auditoria:
| Componente | Faixa Típica |
|---|---|
| Auditoria inicial (Fases 1 e 2) | R$ 15.000 - R$ 80.000 |
| Auditoria de manutenção anual | R$ 8.000 - R$ 40.000 |
| Auditoria de recertificação | R$ 12.000 - R$ 60.000 |
ROI da Certificação
O retorno sobre investimento vem de múltiplas fontes:
- Redução de multas: atenuante de até 4% em penalidades da Lei Anticorrupção
- Vantagem competitiva: diferencial em licitações e contratos internacionais
- Redução de perdas: prevenção de fraudes internas e externas
- Proteção reputacional: valor difícil de quantificar, mas potencialmente o maior
- Eficiência operacional: processos mais claros e controlados
Empresas que participam de licitações públicas ou operam em setores regulados frequentemente recuperam o investimento já no primeiro contrato conquistado.
Benefícios da Certificação ISO 37001
Além da conformidade, a certificação traz vantagens concretas para diferentes stakeholders.
Redução de Riscos Legais e Reputacionais
O sistema de gestão estruturado reduz a probabilidade de ocorrência de suborno. Quando incidentes ocorrem, a existência de controles demonstra que a organização tomou medidas razoáveis — argumento relevante em processos administrativos e judiciais.
Vantagem Competitiva em Licitações
Órgãos públicos e grandes empresas privadas cada vez mais exigem demonstração de programas de integridade de seus fornecedores. A certificação ISO 37001 é evidência objetiva e verificável.
No setor público brasileiro, a Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) estabelece que programas de integridade são critério de desempate e podem ser exigidos em contratos de grande vulto.
Proteção de Executivos
A responsabilização pessoal de administradores em casos de corrupção é realidade no Brasil. Demonstrar que a empresa tinha sistema de gestão implementado pode ser crucial na defesa individual de gestores.
Conformidade com ESG
Investidores institucionais, fundos de pensão e agências de rating ESG consideram governança anticorrupção em suas avaliações. A certificação ISO 37001 é indicador reconhecido de maturidade nesse pilar.
Reconhecimento Internacional
A ISO 37001 é reconhecida globalmente. Para empresas que operam em mercados internacionais ou buscam investimento estrangeiro, a certificação demonstra aderência a padrões aceitos mundialmente.
Due Diligence na ISO 37001: O Papel da Investigação Empresarial
A due diligence é um dos requisitos mais operacionalmente desafiadores da ISO 37001. A norma exige que organizações avaliem parceiros comerciais, fornecedores, agentes e outros terceiros antes e durante o relacionamento.
Por Que Due Diligence É Requisito Central
Estatísticas revelam que a maioria dos casos de suborno corporativo envolve terceiros. Agentes comerciais, intermediários, consultores e fornecedores frequentemente são o veículo para pagamentos indevidos — às vezes sem conhecimento da empresa contratante.
A due diligence permite:
- Identificar red flags antes de iniciar o relacionamento
- Dimensionar riscos de cada parceiro
- Aplicar controles proporcionais
- Documentar diligência para fins de defesa legal
O Desafio da Escala
Empresas médias e grandes mantêm centenas ou milhares de relacionamentos comerciais. Conduzir due diligence manual em cada um é inviável. O resultado comum: verificações superficiais ou seletivas que deixam gaps de exposição.
Automação da Due Diligence
Ferramentas de investigação empresarial automatizada transformam esse cenário. O Sherlocker permite verificar antecedentes, analisar estruturas societárias, identificar vínculos ocultos e monitorar parceiros continuamente — atendendo diretamente aos requisitos da ISO 37001 com escala e consistência.
O que antes demandava dias de pesquisa manual pode ser concluído em minutos, com relatórios padronizados que servem como evidência documentada para auditorias de certificação.
Monitoramento Contínuo
A due diligence não é evento único. A ISO 37001 exige que organizações monitorem parceiros durante o relacionamento, especialmente aqueles classificados como alto risco.
Sistemas automatizados permitem configurar alertas para mudanças relevantes: processos judiciais, sanções, alterações societárias, notícias negativas. Essa vigilância contínua é praticamente impossível de manter manualmente em carteiras extensas de fornecedores.
Perguntas Frequentes sobre ISO 37001
O que é a norma ISO 37001?
A ISO 37001 é uma norma internacional que especifica requisitos para sistemas de gestão antissuborno. Ela fornece um framework para organizações prevenirem, detectarem e responderem ao suborno, podendo ser certificada por organismos independentes.
Qual a diferença entre ISO 37001 e ISO 37301?
A ISO 37001 foca especificamente em antissuborno, enquanto a ISO 37301 aborda compliance de forma mais ampla. A 37001 trata de prevenção e detecção de suborno; a 37301 estabelece requisitos para sistemas de gestão de compliance em geral, cobrindo qualquer obrigação legal ou ética.
Quanto custa a certificação ISO 37001?
Os custos variam por porte e complexidade. Considerando consultoria e certificação, pequenas empresas investem a partir de R$ 40.000, médias empresas entre R$ 80.000 e R$ 200.000, e grandes corporações podem superar R$ 500.000. A certificação em si (auditorias) representa R$ 15.000 a R$ 80.000 para o ciclo inicial.
Quem pode ser certificado na ISO 37001?
Qualquer organização, independentemente de porte, setor ou localização geográfica. A norma é aplicável a empresas privadas, órgãos públicos, ONGs e outras entidades. O escopo pode abranger toda a organização ou unidades específicas.
O que é sistema de gestão antissuborno?
É um conjunto estruturado de políticas, procedimentos, controles e práticas que uma organização implementa para prevenir, detectar e responder ao suborno. Inclui governança, avaliação de riscos, controles operacionais, treinamento, canal de denúncias e monitoramento contínuo.
Como implementar a ISO 37001?
A implementação segue etapas: diagnóstico inicial (gap analysis), avaliação de riscos de suborno, desenvolvimento de políticas e procedimentos, implementação de controles, treinamento, auditoria interna e certificação. O processo leva de 4 a 18 meses dependendo do porte.
Qual a relação entre ISO 37001 e Lei Anticorrupção?
São complementares. A Lei 12.846/2013 estabelece responsabilidade objetiva e sanções; a ISO 37001 fornece framework de prevenção. A certificação pode ser usada como evidência de programa de integridade, potencialmente atenuando penalidades previstas na lei.
Quanto tempo leva para certificar na ISO 37001?
O tempo total desde o início do projeto até a certificação varia de 4 meses (pequenas empresas com estrutura existente) a 18 meses (grandes corporações partindo do zero). A auditoria de certificação em si leva de 2 a 10 dias, dependendo do escopo.
Conclusão
A ISO 37001 representa mais do que uma certificação — é um compromisso estruturado com a integridade nos negócios. Em um ambiente onde riscos de suborno podem destruir reputações construídas em décadas e expor executivos a responsabilização pessoal, ter um sistema de gestão robusto deixou de ser diferencial para se tornar necessidade.
A versão 2025 da norma eleva ainda mais o padrão, exigindo comprometimento mensurável da liderança e conexão com sustentabilidade. Organizações que iniciam a jornada agora têm a vantagem de implementar diretamente na versão atualizada.
O investimento — tanto financeiro quanto de tempo — se justifica pela proteção obtida e pelas oportunidades de negócio que se abrem. Em licitações públicas, contratos internacionais e relacionamentos com grandes corporações, a certificação ISO 37001 é credencial cada vez mais valorizada.
Para empresas que buscam implementar due diligence de parceiros em escala — requisito central da norma — a automação com ferramentas como o Sherlocker torna viável o que seria impossível manualmente: verificação consistente, monitoramento contínuo e documentação adequada para auditorias.
A pergunta não é se sua empresa pode se dar ao luxo de implementar a ISO 37001. É se pode se dar ao luxo de não implementar.
Escrito por
Bruno FragaArtigos relacionados
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