KYC e KYB no Brasil: Guia Completo de Verificação de Clientes e Empresas

Em janeiro de 2025, a Serasa Experian registrou 1,242 milhão de tentativas de fraude no Brasil — o maior número desde o início da série histórica do indicador. Isso representa uma tentativa de fraude a cada 2,2 segundos. E não para por aí: os deepfakes cresceram 830% em apenas um ano no país, segundo relatório da Sumsub.
Os números revelam uma verdade incômoda: empresas que não verificam adequadamente seus clientes e parceiros estão operando às cegas em um campo minado.
KYC (Know Your Customer) e KYB (Know Your Business) não são apenas siglas de compliance. São os mecanismos que separam empresas vulneráveis de empresas protegidas. Neste guia, você vai entender exatamente como implementar ambos no contexto brasileiro — com legislação específica, processos práticos e os erros que você precisa evitar.
O que é KYC (Know Your Customer)?
KYC, ou "Conheça Seu Cliente", é o processo sistemático de verificação da identidade de clientes antes e durante o relacionamento comercial. Mais do que uma formalidade burocrática, é a primeira linha de defesa contra fraudes de identidade, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas.
O conceito surgiu no setor financeiro nos anos 1990, quando reguladores internacionais perceberam que criminosos usavam bancos como lavanderia para dinheiro sujo. Desde então, evoluiu de um simples formulário de cadastro para um processo sofisticado que envolve tecnologia, inteligência de dados e monitoramento contínuo.
Definição e Origem do KYC
Na prática, KYC significa responder a três perguntas fundamentais sobre cada cliente:
- Quem é essa pessoa? (Identificação)
- Ela é quem diz ser? (Verificação)
- O comportamento dela continua coerente? (Monitoramento)
A origem formal do KYC no Brasil está na Lei 9.613/98, que obrigou instituições financeiras a conhecer seus clientes para prevenir lavagem de dinheiro. Mas o conceito expandiu. Hoje, empresas de todos os setores — de fintechs a imobiliárias, de e-commerces a casas de apostas — precisam implementar processos de KYC.
Os 3 Pilares do KYC: Identificação, Verificação e Monitoramento
O processo de KYC se sustenta em três pilares que funcionam como camadas de proteção:
1. Identificação (CIP - Customer Identification Program)
Coleta de dados básicos: nome completo, CPF, data de nascimento, endereço, ocupação, renda estimada. Parece simples, mas é aqui que começam os problemas. Segundo dados do setor, circulam mais de 16 milhões de RGs falsas no Brasil. Sem validação adequada, você pode estar cadastrando um fantasma.
2. Verificação (CDD - Customer Due Diligence)
Cruzamento dos dados informados com fontes oficiais: Receita Federal, Tribunal de Justiça, Serasa, bases de sanções. É a etapa que confirma que a pessoa existe, que os documentos são autênticos, e que não há restrições legais para o relacionamento comercial.
3. Monitoramento Contínuo
KYC não termina no onboarding. Clientes mudam. Comportamentos mudam. Uma pessoa pode entrar limpa no seu sistema e, meses depois, tornar-se uma Pessoa Politicamente Exposta (PEP) ou aparecer em uma lista de sanções. O monitoramento contínuo garante que você detecte mudanças de risco ao longo do tempo.
Por que o KYC é Obrigatório no Brasil?
A obrigatoriedade do KYC no Brasil não é opcional para muitos setores. A Lei 9.613/98 e suas atualizações determinam que diversas categorias de empresas devem implementar processos de conhecimento do cliente, sob pena de multas que podem chegar a R$ 20 milhões e até mesmo responsabilização criminal de gestores.
Mas além da obrigação legal, existe uma razão prática: o Brasil é um alvo preferencial para fraudes. Um relatório global de 2022 apontou o país como líder mundial em casos de lavagem de dinheiro, com 23% das empresas impactadas — contra uma média global de 16%. Ignorar KYC não é apenas ilegal; é comercialmente suicida.
O que é KYB (Know Your Business)?
Se KYC verifica pessoas físicas, KYB (Know Your Business) faz o mesmo com pessoas jurídicas. E aqui está um ponto cego perigoso: muitas empresas implementam KYC rigoroso para clientes finais, mas fecham contratos milionários com fornecedores e parceiros sem verificação alguma.
KYB responde a perguntas como: essa empresa realmente existe? Quem são os donos? Ela está regular com a Receita? Tem processos trabalhistas? Os sócios estão em listas de sanções?
Diferença entre KYC e KYB
| Aspecto | KYC | KYB |
|---|---|---|
| Foco | Pessoa física | Pessoa jurídica |
| Documentos principais | CPF, RG, CNH, comprovante de endereço | CNPJ, contrato social, certidões negativas |
| Objetivo central | Verificar identidade do indivíduo | Verificar legitimidade da empresa e seus controladores |
| Complexidade | Moderada | Alta (estruturas societárias, UBOs) |
| Exemplo de uso | Abertura de conta bancária | Contratação de fornecedor, parceria comercial |
Quando Usar KYB: Verificação de Parceiros e Fornecedores
KYB é crítico em situações como:
- Onboarding de fornecedores: antes de assinar contrato com um novo fornecedor, você precisa saber se ele está regular, se tem capacidade financeira, se os sócios têm histórico limpo.
- Parcerias comerciais: ao fechar uma parceria de distribuição ou representação, a reputação do parceiro passa a ser sua reputação.
- Investimentos e aquisições: em processos de M&A ou captação de investimento, a due diligence completa inclui verificação KYB de todas as partes.
- Cadeia de suprimentos: regulamentações como a Lei Anticorrupção (12.846/13) responsabilizam empresas por atos de terceiros em sua cadeia.
Beneficiário Final (UBO) e Estrutura Societária
O elemento mais crítico do KYB é a identificação do UBO — Ultimate Beneficial Owner, ou Beneficiário Final. Trata-se da pessoa física que, em última instância, controla a empresa, mesmo que através de várias camadas societárias.
Por que isso importa? Porque criminosos usam estruturas corporativas complexas para esconder sua identidade. Uma empresa pode ter como sócia outra empresa, que por sua vez é controlada por um fundo em paraíso fiscal. Sem investigar até o beneficiário final, você não sabe com quem realmente está fazendo negócio.
A Receita Federal brasileira exige a declaração de beneficiários finais para empresas com participação estrangeira. Mas a melhor prática é investigar UBOs mesmo quando não há obrigação legal — especialmente em transações de alto valor.
Legislação KYC/KYB no Brasil
O arcabouço legal brasileiro para KYC e KYB é robusto e está em constante evolução. Entender as principais normas não é apenas questão de compliance — é proteção contra multas milionárias e responsabilização criminal.
Lei 9.613/98 (Lei de Lavagem de Dinheiro)
A Lei 9.613/98, conhecida como Lei de Lavagem de Dinheiro, é o pilar central do sistema de prevenção brasileiro. Ela:
- Tipifica o crime de lavagem: pena de 3 a 10 anos de reclusão, mais multa
- Define os setores obrigados: inicialmente bancos, depois expandido para dezenas de categorias
- Estabelece obrigações preventivas: identificação de clientes, registro de transações, comunicação de operações suspeitas
- Cria o COAF: órgão central de inteligência financeira
Em 2012, a Lei 12.683 atualizou a legislação, eliminando a lista taxativa de crimes antecedentes. Antes, só lavagem de dinheiro oriundo de certos crimes era punível. Agora, qualquer infração penal pode gerar lavagem de dinheiro.
COAF e suas Obrigações
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) é a Unidade de Inteligência Financeira do Brasil. Ele:
- Recebe comunicações de operações suspeitas das empresas obrigadas
- Analisa e cruza informações para identificar padrões de lavagem
- Compartilha inteligência com órgãos de investigação (Polícia Federal, Ministério Público)
- Fiscaliza setores que não possuem regulador próprio
As empresas obrigadas devem comunicar ao COAF operações suspeitas em até 24 horas, sem dar ciência ao cliente. O descumprimento pode gerar multas de até R$ 20 milhões e inabilitação de administradores por até 10 anos.
Resolução CVM 617
Para o mercado de capitais, a Resolução CVM 617 detalha os procedimentos de KYC que corretoras, gestoras e outros participantes devem seguir. A norma exige:
- Verificação de identidade com documentos oficiais
- Classificação de risco dos clientes
- Monitoramento de operações
- Procedimentos específicos para Pessoas Politicamente Expostas (PEPs)
LGPD e Proteção de Dados no KYC
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) criou um desafio adicional para processos de KYC: como coletar dados sensíveis para verificação sem violar a privacidade do titular?
A boa notícia é que a LGPD prevê bases legais que permitem o tratamento de dados para KYC:
- Cumprimento de obrigação legal: quando a verificação é exigida por lei (como a Lei 9.613/98)
- Exercício regular de direitos: em processos judiciais ou administrativos
- Legítimo interesse: quando há interesse comercial legítimo e os direitos do titular são preservados
O importante é documentar a base legal utilizada, coletar apenas dados necessários, e garantir a segurança no armazenamento.
Circular BACEN e Instituições Financeiras
O Banco Central regula KYC para bancos, cooperativas de crédito, fintechs e demais instituições do Sistema Financeiro Nacional através de circulares que exigem:
- Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) documentada
- Procedimentos de identificação e verificação de clientes
- Avaliação de risco de cada cliente
- Monitoramento de transações atípicas
- Comunicação de operações suspeitas ao COAF
A Circular 3.978/2020 consolidou as regras e trouxe maior flexibilidade para abordagens baseadas em risco, permitindo procedimentos simplificados para clientes de baixo risco e reforçados para alto risco.
Como Implementar KYC na sua Empresa
Teoria é importante, mas você precisa de um processo prático. Veja como estruturar um programa de KYC que funciona no dia a dia.
Documentos Obrigatórios: CPF, RG, CNH, Comprovante de Endereço
Para pessoas físicas, o conjunto mínimo de documentos para KYC inclui:
Identificação:
- CPF (obrigatório)
- Documento com foto: RG, CNH ou Passaporte
- Para estrangeiros: RNE/CRNM
Comprovação de endereço:
- Conta de luz, água ou gás (últimos 90 dias)
- Fatura de cartão de crédito
- Declaração de Imposto de Renda (com endereço atualizado)
Comprovação de renda (quando aplicável):
- Holerite ou contracheque
- Declaração de IR
- Extrato bancário
A carteira de motorista brasileira (CNH) é, curiosamente, o documento menos falsificado do mundo. Já o RG é um dos mais vulneráveis — o que explica os 16 milhões de RGs falsas em circulação no país.
Verificação de Identidade: Biometria e Prova de Vida
Documentos podem ser falsificados. Por isso, a verificação moderna vai além da análise documental:
OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres):
Extrai automaticamente dados de documentos, reduzindo erros de digitação e permitindo cruzamento instantâneo com bases oficiais.
Biometria Facial:
Compara a selfie do cliente com a foto do documento. Sistemas avançados detectam tentativas de fraude como uso de fotos impressas ou telas de celular.
Prova de Vida (Liveness Detection):
Garante que a pessoa está presente no momento da verificação. Pode exigir movimentos específicos (piscar, virar a cabeça) ou usar análise passiva de microexpressões.
Segundo a Serasa Experian, diligências relacionadas à autenticidade de documentos e validação biométrica aumentaram quase 80% em fevereiro de 2025 comparado ao mesmo período de 2024. O mercado está reagindo à epidemia de fraudes.
Classificação de Risco do Cliente
Nem todo cliente representa o mesmo risco. Uma abordagem baseada em risco permite alocar recursos onde eles são mais necessários:
Risco Baixo:
- Cliente pessoa física
- Sem antecedentes negativos
- Perfil de transação compatível com renda declarada
- Não é PEP
Risco Médio:
- Atividade empresarial em setor com risco moderado
- Transações frequentes mas dentro de padrões
- Relacionamento com PEPs de segundo grau
Risco Alto:
- PEP (Pessoa Politicamente Exposta)
- Presença em listas de sanções ou watchlists
- Transações inconsistentes com perfil declarado
- Origem de recursos não comprovada
- País de alto risco na cadeia de relacionamento
Para clientes de risco alto, aplique procedimentos reforçados (EDD - Enhanced Due Diligence): mais documentos, mais verificações, mais monitoramento.
Monitoramento Contínuo e Atualização Cadastral
O erro mais comum em KYC é tratá-lo como evento único. Mas situações mudam:
- Um cliente pode se tornar PEP após uma nomeação política
- Uma empresa parceira pode entrar em recuperação judicial
- Um fornecedor pode ter sócios incluídos em listas de sanções
Por isso, o monitoramento contínuo é essencial:
- Atualização cadastral periódica: a cada 1-2 anos para clientes de baixo risco, mais frequente para alto risco
- Monitoramento de transações: alertas automáticos para padrões atípicos
- Checagem recorrente em bases de risco: PEPs, sanções, mídia negativa
- Revisão de classificação de risco: reclassificar clientes conforme comportamento observado
Como Implementar KYB para Parceiros e Fornecedores
Para pessoas jurídicas, o processo é mais complexo porque envolve estruturas societárias e múltiplas camadas de responsabilidade.
Documentos Empresariais: CNPJ, Contrato Social, Certidões
O pacote documental básico para KYB inclui:
Identificação da empresa:
- Cartão CNPJ atualizado
- Contrato Social ou Estatuto (e alterações)
- Ata de eleição da diretoria (se aplicável)
Verificação de regularidade:
- Certidão Negativa de Débitos Federais (CND)
- Certidão de Regularidade do FGTS (CRF)
- Certidões de Distribuições Cíveis e Criminais
- Certidão de Protestos
Identificação dos sócios/administradores:
- Documentos pessoais de todos os sócios com mais de 25% de participação
- Documentos dos administradores e representantes legais
Identificação de Beneficiários Finais
Para empresas com estrutura societária complexa, é necessário "perfurar o véu corporativo" até identificar as pessoas físicas controladoras:
- Mapeie a estrutura: quem são os sócios? Se algum sócio for pessoa jurídica, quem são os sócios dessa PJ?
- Identifique participações acima de 25%: esse é o threshold comum para caracterizar controle
- Verifique controle de fato: mesmo sem participação majoritária, alguém pode controlar decisões por acordos de acionistas ou poderes especiais
- Documente o raciocínio: em auditorias, você precisará demonstrar como chegou à identificação do UBO
Due Diligence de Terceiros
Para parceiros estratégicos e fornecedores críticos, a due diligence vai além da verificação documental:
- Análise financeira: a empresa tem capacidade de cumprir o contrato? Está em situação financeira saudável?
- Histórico reputacional: há notícias negativas? Envolvimento em escândalos? Processos relevantes?
- Compliance histórico: a empresa já foi sancionada por órgãos reguladores?
- Cadeia de suprimentos: quem são os fornecedores do fornecedor?
O background check empresarial completo cruza dezenas de fontes para construir um perfil de risco abrangente.
Verificação de Sanções e PEPs
Listas de sanções e PEPs são componentes críticos do KYB:
Listas de Sanções:
- ONU (Conselho de Segurança)
- OFAC (Estados Unidos)
- UE (União Europeia)
- UK (Reino Unido)
- COAF (Brasil)
PEPs (Pessoas Politicamente Expostas):
- Ocupantes de cargos públicos relevantes
- Dirigentes de empresas estatais
- Membros de tribunais superiores
- Familiares próximos e pessoas de relacionamento próximo de PEPs
Ter um sócio em lista de sanções pode contaminar toda a cadeia de relacionamento. Por isso, a verificação precisa ser automatizada e recorrente.
KYC e KYB na Prática: Setores que Mais Precisam
Embora a Lei 9.613/98 liste dezenas de setores obrigados, alguns são particularmente críticos pela natureza do negócio.
Setor Financeiro e Fintechs
Bancos tradicionais já têm processos maduros de KYC. O desafio está nas fintechs, que buscam onboarding rápido e digital. A solução: automação inteligente que verifica em segundos, sem fricção para o usuário.
O setor financeiro concentra a maior parte das tentativas de fraude. Segundo análises do setor, 52% das fraudes no Brasil ocorrem em transações bancárias.
iGaming e Apostas (Lei 14.790/23)
Com a regulamentação das apostas online no Brasil (Lei 14.790/23), operadores de iGaming passaram a ter obrigações rigorosas de KYC:
- Verificação de idade (maiores de 18 anos)
- Comprovação de identidade
- Verificação de origem de recursos para apostas de alto valor
- Autoexclusão de jogadores compulsivos
O setor é particularmente visado por fraudadores que usam contas falsas para lavar dinheiro ou explorar bônus promocionais.
Criptomoedas e Exchanges
A Lei 14.478/22 (Lei de Criptoativos) trouxe as exchanges brasileiras para o perímetro regulatório de prevenção à lavagem de dinheiro. Agora, elas devem:
- Implementar KYC completo para todos os usuários
- Comunicar operações suspeitas ao COAF
- Manter registros por pelo menos 5 anos
As penalidades para lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas foram ampliadas pela mesma lei.
Varejo e E-commerce
Empresas de e-commerce não são formalmente obrigadas pela Lei 9.613/98 na maioria dos casos. Mas enfrentam fraudes massivas:
- Cartões de crédito clonados
- Identidades falsas para compras financiadas
- Devoluções fraudulentas
KYC no e-commerce foca principalmente em verificação de meios de pagamento e prevenção de fraudes transacionais.
Imobiliário e Construção
O setor imobiliário é historicamente usado para lavagem de dinheiro pela facilidade de movimentar grandes valores. Corretoras de imóveis são obrigadas pela Lei 9.613/98 a:
- Identificar compradores e vendedores
- Verificar origem de recursos
- Comunicar operações suspeitas
Transações em espécie acima de R$ 30.000 exigem comunicação automática ao COAF.
Fraudes de Identidade no Brasil: Por que KYC é Urgente
Os números não mentem: o Brasil vive uma epidemia de fraudes de identidade que exige ação imediata das empresas.
Brasil Lidera Ranking Global de Fraudes com Deepfake
Relatórios internacionais colocam o Brasil entre os países mais afetados por deepfakes aplicadas a fraudes. O crescimento de 830% em um ano não é coincidência — reflete a combinação de:
- Grande população digital
- Alto volume de transações online
- Criminosos sofisticados com acesso a ferramentas de IA
Deepfakes já são usadas para burlar verificações por selfie, criar vídeos falsos de autorização, e enganar sistemas de prova de vida menos robustos.
Mais de 1 Milhão de Tentativas de Fraude por Mês
A Serasa Experian registrou mais de 1 milhão de tentativas de fraude evitadas em janeiro e fevereiro de 2025 — cada um desses meses bateu recordes. O Distrito Federal lidera o ranking nacional com 7.832 tentativas por milhão de habitantes.
Esses são apenas os casos detectados. Quantas fraudes passam despercebidas por empresas sem sistemas adequados de KYC?
Casos Reais de Fraude Empresarial Evitáveis com KYC
A prática revela padrões que KYC bem implementado detectaria:
- Abertura de contas com documentos falsos: verificação biométrica e consulta a bases oficiais eliminariam 90% dos casos
- Empresas de fachada em cadeias de fornecimento: KYB com verificação de UBO revelaria sócios ocultos
- PEPs não declarados: monitoramento recorrente contra bases de PEPs identificaria exposição política
Cada fraude evitada não é apenas economia — é proteção da reputação e cumprimento de obrigações legais.
Ferramentas e Tecnologias para KYC/KYB
A boa notícia: a tecnologia evoluiu junto com as fraudes. Soluções modernas permitem verificações robustas sem sacrificar a experiência do usuário.
OCR e Verificação Automatizada de Documentos
OCR (Optical Character Recognition) extrai dados de documentos automaticamente. Mas vai além: sistemas inteligentes verificam:
- Elementos de segurança do documento
- Consistência tipográfica
- Sinais de adulteração digital
- Coerência entre dados extraídos e formato esperado
Biometria Facial e Liveness Detection
A verificação facial moderna usa machine learning para:
- Comparar selfie com foto do documento (face match)
- Detectar tentativas de fraude (fotos de fotos, máscaras, deepfakes)
- Confirmar presença viva (liveness detection)
Segundo o Relatório de Fraude de Identidade 2025 da Veriff, 1 em cada 20 falhas na verificação de identidade já está relacionada a deepfakes. Sistemas de liveness precisam evoluir constantemente.
Consulta a Bases Oficiais: Receita Federal, Tribunais, Serasa
A verificação manual é impossível em escala. Plataformas de investigação empresarial automatizam consultas a:
- Receita Federal (situação cadastral de CPF e CNPJ)
- Tribunais de Justiça (processos cíveis e criminais)
- Juntas Comerciais (alterações societárias)
- Cartórios de Protesto
- Serasa/SPC (restrições de crédito)
- Listas de sanções nacionais e internacionais
- Bases de PEPs
Plataformas de Investigação Empresarial
Para empresas que fazem muitas verificações, plataformas especializadas oferecem:
- APIs para integração: verificação dentro do seu sistema, sem redirecionamentos
- Relatórios consolidados: todas as fontes em um único documento
- Monitoramento contínuo: alertas automáticos quando algo muda
- Dossiês investigativos: análise profunda para casos de alto risco
O Sherlocker é um exemplo de plataforma que usa IA para cruzar dados de múltiplas fontes e gerar relatórios de investigação empresarial automatizados — acelerando processos de due diligence que antes levavam dias.
Erros Comuns na Implementação de KYC/KYB
Conhecer os erros mais frequentes ajuda a evitá-los no seu processo.
Verificação Apenas no Onboarding
O erro número um: tratar KYC como um checkbox na entrada e nunca mais revisitar. Situações mudam. Um cliente limpo hoje pode ser problemático amanhã. Monitoramento contínuo não é opcional — é parte essencial do processo.
Ignorar Atualização Cadastral
Dados ficam desatualizados. Endereços mudam. Empresas alteram quadro societário. Sem atualização periódica, você perde visibilidade sobre quem realmente é seu cliente.
A recomendação: atualização cadastral pelo menos a cada 2 anos para clientes de baixo risco, anualmente para médio risco, e continuamente para alto risco.
Não Documentar Processos para Auditoria
Em uma fiscalização, você precisará demonstrar que fez KYC adequado. Isso exige:
- Políticas documentadas
- Registros de verificações realizadas
- Evidências de decisões tomadas
- Trilha de auditoria completa
"Fizemos, mas não documentamos" não é defesa aceita por reguladores.
Subestimar Riscos de Parceiros (Falta de KYB)
Muitas empresas têm KYC rigoroso para clientes finais, mas assinam contratos com fornecedores baseadas apenas em uma proposta comercial. Parceiros problemáticos podem expor sua empresa a:
- Responsabilização por atos de terceiros (Lei Anticorrupção)
- Contaminação reputacional
- Riscos operacionais e financeiros
KYB para parceiros e fornecedores críticos deve ter o mesmo rigor que KYC para clientes.
Conclusão: KYC e KYB como Base do Compliance
A cada 2,2 segundos, alguém tenta cometer uma fraude no Brasil. Deepfakes crescem 830% ao ano. Mais de 16 milhões de RGs falsas circulam pelo país. Os números são claros: empresas que não investem em verificação de identidade estão assumindo riscos inaceitáveis.
KYC e KYB não são custos de compliance — são investimentos em proteção. Proteção contra fraudes, contra multas regulatórias, contra danos reputacionais, contra responsabilização criminal de gestores.
A implementação não precisa ser traumática. Com as ferramentas certas, é possível criar processos de verificação que são ao mesmo tempo robustos e eficientes. Biometria, OCR, consultas automatizadas, monitoramento contínuo — a tecnologia existe para tornar KYC e KYB escaláveis.
O primeiro passo é diagnóstico: como está seu processo atual? Você conhece realmente seus clientes e parceiros? Sabe quem são os beneficiários finais das empresas com quem negocia? Monitora mudanças ao longo do tempo?
Se a resposta a qualquer dessas perguntas for "não" ou "não tenho certeza", é hora de agir. Porque enquanto você lê este artigo, mais uma tentativa de fraude está acontecendo. A pergunta é: ela vai atingir a sua empresa?
FAQ: Perguntas Frequentes sobre KYC e KYB
O que é KYC e para que serve?
KYC (Know Your Customer) é o processo de verificação da identidade de clientes para prevenir fraudes, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. Serve para garantir que a empresa sabe com quem está fazendo negócio.
Qual a diferença entre KYC e KYB?
KYC foca em pessoas físicas, enquanto KYB (Know Your Business) foca em pessoas jurídicas. O KYB inclui verificação de estrutura societária, beneficiários finais e regularidade empresarial.
KYC é obrigatório no Brasil?
Sim, para setores regulamentados pela Lei 9.613/98: instituições financeiras, corretoras de imóveis, joalherias, factorings, entre outros. Mesmo para setores não obrigados, KYC é uma prática essencial de gestão de risco.
Quais documentos são necessários para KYC?
Para pessoas físicas: CPF, documento com foto (RG, CNH ou passaporte), comprovante de endereço. Dependendo do risco, pode ser necessário comprovante de renda.
O que é o COAF?
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras é a Unidade de Inteligência Financeira do Brasil. Recebe comunicações de operações suspeitas, analisa dados e compartilha inteligência com órgãos de investigação.
O que são PEPs no contexto de KYC?
PEPs (Pessoas Politicamente Expostas) são ocupantes de cargos públicos relevantes, seus familiares e pessoas de relacionamento próximo. Representam risco elevado por potencial exposição a corrupção e lavagem de dinheiro.
Como a LGPD afeta processos de KYC?
A LGPD exige que a coleta de dados pessoais tenha base legal. Para KYC, as bases mais comuns são cumprimento de obrigação legal (quando KYC é exigido por lei) e legítimo interesse (para prevenção de fraudes).
O que é beneficiário final (UBO)?
Beneficiário Final (Ultimate Beneficial Owner) é a pessoa física que, em última instância, controla uma pessoa jurídica, mesmo através de múltiplas camadas societárias. Identificar o UBO é essencial para KYB efetivo.
Escrito por
Bruno FragaExperimente o Sherlocker
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