Due Diligence em M&A: Guia Completo para Fusões e Aquisições | Sherlocker

Entre 70% e 75% das fusões e aquisições falham em criar valor para os acionistas. Esse dado, revelado por uma análise de 40.000 operações de M&A ao longo de 40 anos publicada pela Fortune, não é apenas uma estatística — é um alerta. A diferença entre uma aquisição bem-sucedida e um desastre corporativo frequentemente se resume a três palavras: due diligence em M&A.
O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimentou R$ 56,5 bilhões apenas no primeiro quadrimestre de 2025, segundo relatório da TTR Data. A KPMG registrou 425 operações no terceiro trimestre do mesmo ano. São bilhões em jogo — e a maioria das empresas ainda subestima a investigação prévia que poderia salvá-las de prejuízos milionários.
Neste guia, você vai descobrir o que a due diligence realmente envolve, por que 31% das falhas em M&A estão diretamente ligadas a diligências inadequadas, e como a due diligence reputacional — frequentemente ignorada — pode revelar riscos que balanços e contratos não mostram.
O que é Due Diligence em M&A?
Due diligence em M&A é o processo sistemático de investigação e verificação de uma empresa-alvo antes de uma fusão ou aquisição. O termo vem do latim debita diligentia — "cuidado devido" — e representa exatamente isso: o cuidado que um comprador prudente deve ter antes de fechar um negócio.
Na prática, a due diligence vai muito além de revisar demonstrações financeiras. É uma análise multidimensional que examina aspectos financeiros, jurídicos, tributários, operacionais, tecnológicos e — cada vez mais importante — reputacionais da empresa-alvo.
Definição e objetivos
O objetivo central da due diligence em fusões e aquisições é reduzir a assimetria de informação entre comprador e vendedor. O vendedor conhece intimamente seu negócio — incluindo problemas que prefere não revelar. O comprador precisa descobrir o que está realmente comprando antes de assinar o cheque.
Uma due diligence eficaz responde a perguntas críticas:
- Os números financeiros reportados são reais e sustentáveis?
- Existem passivos ocultos, contingências ou processos judiciais relevantes?
- Os principais contratos sobreviverão à mudança de controle?
- Os sócios e executivos têm histórico limpo ou carregam riscos reputacionais?
- A empresa está em conformidade com regulamentações setoriais e a LGPD?
- Quais riscos podem destruir valor após a aquisição?
Diferença entre due diligence e auditoria tradicional
Uma confusão comum: due diligence não é auditoria. A auditoria tradicional verifica se as demonstrações financeiras estão em conformidade com normas contábeis. É retrospectiva e focada em compliance.
A due diligence para M&A é prospectiva e estratégica. Não basta saber se os números estão corretos — é preciso entender se são sustentáveis, se refletem a realidade operacional e se existem riscos que impactarão o valor futuro do negócio.
| Aspecto | Auditoria Tradicional | Due Diligence M&A |
|---|---|---|
| Foco | Conformidade contábil | Avaliação de riscos e valor |
| Escopo | Demonstrações financeiras | Múltiplas dimensões (financeira, jurídica, operacional, reputacional) |
| Objetivo | Emitir opinião sobre conformidade | Identificar deal breakers e ajustar valuation |
| Orientação | Passado | Presente e futuro |
| Cliente | Empresa auditada | Comprador (ou vendedor, em vendor DD) |
Por que a Due Diligence é Crítica em Fusões e Aquisições?
A matemática da due diligence é simples: uma investigação aprofundada pode custar R$ 5 milhões. Uma aquisição mal feita pode custar R$ 500 milhões — ou destruir uma empresa inteira.
Estatísticas de falhas em M&A
Os números são brutais. Segundo pesquisa da AcquisitionStars analisando décadas de operações:
- 70-75% das aquisições falham em criar valor para acionistas
- 42% das falhas ocorrem por overpaying (pagar demais pela empresa-alvo)
- 31% das falhas resultam de due diligence inadequada
- 27% falham por problemas de integração pós-fusão
O estudo destaca ainda gaps específicos que a diligência costuma perder:
- 38% das due diligences perdem problemas relevantes com clientes
- 34% não identificam risco de fuga de funcionários-chave
- 29% deixam passar problemas de tecnologia e sistemas
- 24% ignoram gaps de compliance regulatório
- 21% não avaliam incompatibilidades culturais
Casos reais: quando a DD falhou
HP e Autonomy: O desastre de US$ 8,8 bilhões
Em outubro de 2011, a Hewlett-Packard adquiriu a britânica Autonomy por US$ 11 bilhões. Apenas 13 meses depois, a HP anunciou um write-down de US$ 8,8 bilhões — alegando "impropriedades contábeis" e "falhas de disclosure" que não foram detectadas durante a due diligence.
O caso é emblemático. A HP contratou Deloitte e KPMG para a diligência prévia. O próprio CFO da HP se opôs vocalmente à aquisição. Analistas questionaram o preço pago. Mesmo assim, o deal foi aprovado.
A decisão judicial de 2024 revelou que, embora tenha havido fraude por parte da Autonomy, quase 80% do prejuízo da HP não tinha relação direta com a fraude — e sim com a própria disfunção interna da compradora e falhas no processo de diligência. O valor real da Autonomy era apenas 9,8% menor do que a HP pagou. A maior parte do prejuízo foi autoinfligida.
O que a HP perdeu:
- Red flags ignorados (CFO contra, preço questionado pelo mercado)
- Due diligence acelerada sob pressão de timeline
- Foco excessivo em aspectos financeiros, negligenciando riscos operacionais e de pessoas
- Ausência de due diligence reputacional profunda sobre os fundadores
O custo de não fazer due diligence
Uma pesquisa do IMAA Institute compilou dados de múltiplos estudos e revelou que 83% das operações de M&A não aumentaram valor para acionistas — e cerca de 50-60% efetivamente destruíram valor, segundo análises de HBR, KPMG e A.T. Kearney.
O custo de uma due diligence adequada representa tipicamente 1-3% do valor do deal. O custo de uma aquisição fracassada? Pode ser 100% do investimento — mais danos reputacionais, distração gerencial e oportunidades perdidas.
Os 7 Tipos de Due Diligence em M&A
Uma diligência prévia completa examina a empresa-alvo sob múltiplas lentes. Cada tipo de due diligence revela riscos específicos que, se ignorados, podem comprometer toda a operação.
Financeira
A análise mais tradicional — e frequentemente supervalorizada como "a" due diligence. Examina:
- Quality of earnings: Os lucros reportados são sustentáveis ou inflados por itens não recorrentes?
- Working capital: O capital de giro normalizado condiz com o declarado?
- Dívidas e passivos: Existem financiamentos off-balance-sheet ou garantias não registradas?
- Projeções: As premissas de crescimento são realistas?
Importante: due diligence financeira não é auditoria. O objetivo é entender a qualidade e sustentabilidade dos números, não apenas sua conformidade contábil.
Jurídica/Legal
Examina a estrutura societária, contratos críticos e exposição legal:
- Estrutura societária e cap table
- Contratos com cláusulas de change of control
- Propriedade intelectual e marcas registradas
- Processos judiciais pendentes e histórico contencioso
- Conformidade com regulamentações setoriais
Uma cláusula de change of control perdida pode significar a rescisão automática do principal contrato de receita da empresa-alvo.
Tributária
Identifica passivos fiscais ocultos e riscos de contingência:
- Débitos tributários federais, estaduais e municipais
- Planejamentos fiscais agressivos que podem ser questionados
- Contingências em discussão administrativa ou judicial
- Incentivos fiscais e sua manutenção pós-aquisição
Trabalhista
O passivo trabalhista pode ser especialmente significativo no Brasil:
- Ações trabalhistas pendentes e históricas
- Acordos coletivos e passivos com sindicatos
- Conformidade com CLT e normas de segurança
- Key-man dependencies: concentração em pessoas específicas
Operacional
Avalia a capacidade real de entrega da empresa:
- Eficiência de processos e sistemas
- Qualidade de fornecedores e dependências críticas
- Concentração de clientes (risco de churn pós-aquisição)
- Capacidade instalada e necessidades de investimento
Tecnológica (TI)
Cada vez mais crítica em um mundo digital:
- Segurança cibernética e histórico de incidentes
- Qualidade do código e débito técnico
- Escalabilidade de sistemas
- Conformidade com LGPD e proteção de dados
- Dependências de tecnologias legadas
Reputacional e Investigativa
Esta é a fronteira da due diligence moderna — e frequentemente a mais negligenciada. Enquanto as demais categorias analisam documentos e números, a due diligence reputacional investiga pessoas e relacionamentos.
O que ela examina:
- Background check de sócios e executivos: histórico criminal, processos judiciais, mídia negativa
- Relacionamentos com pessoas politicamente expostas (PEPs)
- Sanções internacionais e listas restritivas
- Histórico de envolvimento em fraudes ou escândalos
- Reputação no mercado e com stakeholders
Este tipo de investigação revela riscos que balanços não mostram: o sócio com múltiplos processos de fraude, o executivo com histórico de assédio, a empresa com conexões questionáveis. No caso HP-Autonomy, uma due diligence reputacional mais profunda sobre o fundador Mike Lynch poderia ter levantado red flags críticos.
Due Diligence Reputacional: O Fator Ignorado que Derruba M&As
Se existe um denominador comum nas aquisições que fracassam por "surpresas" pós-fechamento, é a ausência de uma investigação profunda sobre as pessoas por trás da empresa-alvo.
Big Four e escritórios de advocacia fazem trabalho excelente em análise financeira e jurídica. Mas quem investiga se o CEO da empresa-alvo tem histórico de manipulação contábil em empresas anteriores? Quem verifica se os sócios estão em listas de sanções ou têm processos criminais em outras jurisdições?
O que é due diligence reputacional
A due diligence reputacional vai além do background check tradicional. É uma investigação empresarial que cruza múltiplas fontes para construir um perfil de risco das pessoas-chave:
- Bases de processos judiciais (todos os tribunais, não apenas o local)
- Registros de mídia (incluindo mídia regional e especializada)
- Redes societárias e conexões com outras empresas
- Listas de sanções nacionais e internacionais
- Histórico em órgãos reguladores (CVM, BACEN, CADE)
- Informações de inteligência de fontes abertas (OSINT)
Background check de sócios e executivos
Em uma aquisição, você não está comprando apenas ativos e contratos — está comprando a história das pessoas que construíram aquela empresa. Se essas pessoas carregam problemas, você herda esses problemas.
Áreas críticas de investigação:
- Histórico criminal: processos em todas as esferas e estados
- Processos cíveis: especialmente fraude, má-fé, danos morais
- Falências e recuperações judiciais: como sócio ou administrador
- Ações regulatórias: CVM, BACEN, CADE, órgãos setoriais
- Mídia negativa: escândalos, denúncias, reportagens investigativas
Investigação de histórico: processos, mídia, sanções
Uma investigação reputacional eficaz triangula informações de múltiplas fontes. Um processo isolado pode não ser significativo. Mas quando você conecta um processo de fraude, uma notícia sobre irregularidades contábeis e uma empresa anterior que fechou sob circunstâncias suspeitas, o padrão fica claro.
A análise também examina a rede de relacionamentos: os sócios minoritários, os membros do conselho, os principais fornecedores. Uma empresa pode parecer limpa até você descobrir que seu principal cliente é controlado por uma pessoa politicamente exposta sob investigação.
Como a IA acelera a investigação reputacional
Tradicionalmente, a due diligence reputacional era cara e demorada — semanas de trabalho manual por investigadores. A inteligência artificial transformou esse cenário.
Plataformas modernas de investigação como o Sherlocker conseguem:
- Cruzar automaticamente dezenas de bases de dados
- Identificar conexões societárias em múltiplos níveis
- Monitorar mídia em tempo real
- Detectar padrões de risco que análise manual perderia
- Gerar relatórios de due diligence em horas, não semanas
Essa aceleração não substitui o julgamento humano — mas permite que investigadores foquem em análise e interpretação, não em coleta manual de dados.
As 8 Etapas da Due Diligence em M&A
Uma due diligence bem executada segue um processo estruturado. Atalhos nessas etapas são a origem da maioria dos problemas pós-aquisição.
1. Definição de escopo e objetivos
Antes de começar, defina claramente:
- Quais são os deal breakers que matariam a operação?
- Quais riscos são aceitáveis e a que preço?
- Qual o timeline disponível (e é realista)?
- Quais áreas merecem diligência aprofundada vs. standard?
O escopo deve ser proporcional ao risco. Uma aquisição de R$ 500 milhões merece diligência mais profunda que uma de R$ 5 milhões.
2. Montagem da equipe
Uma due diligence completa exige múltiplas especialidades:
- Advogados corporativos e tributários
- Contadores e analistas financeiros
- Especialistas em TI e segurança
- Investigadores para due diligence reputacional
- Consultores operacionais do setor
A coordenação entre essas equipes é crítica. Achados em uma área podem exigir investigação aprofundada em outra.
3. Solicitação de documentos (data room)
O vendedor organiza um data room (geralmente virtual) com documentação solicitada:
- Demonstrações financeiras e relatórios de auditoria
- Contratos relevantes (clientes, fornecedores, financiamentos)
- Documentação societária
- Propriedade intelectual
- Processos judiciais e passivos contingentes
Um data room desorganizado ou incompleto é, por si só, um red flag.
4. Análise financeira
A equipe financeira examina:
- Quality of earnings (EBITDA normalizado)
- Working capital requirements
- Net debt real
- Projeções e premissas subjacentes
- Anomalias e inconsistências
5. Revisão jurídica e contratual
A equipe jurídica analisa:
- Material contracts e cláusulas de change of control
- Litígios pendentes e potenciais
- Conformidade regulatória
- Estrutura societária e capital
6. Due diligence de pessoas
Esta etapa, frequentemente negligenciada, é crítica:
- Background check de sócios, diretores e executivos-chave
- Verificação de referências e histórico profissional
- Análise de incentivos e potenciais conflitos de interesse
- Investigação de relacionamentos com PEPs
7. Avaliação de riscos e red flags
Consolidar achados de todas as frentes:
- Classificar riscos por impacto e probabilidade
- Identificar deal breakers
- Quantificar impacto em valuation
- Definir mitigantes contratuais (representations, warranties, indemnities)
8. Relatório final e negociação
O relatório de due diligence informa a negociação:
- Ajustes de preço baseados em riscos identificados
- Cláusulas de proteção no contrato de compra
- Condições precedentes ao fechamento
- Escrow e holdback para contingências
Checklist: Red Flags que Indicam Problemas na Empresa-Alvo
Uma due diligence eficaz é uma caçada a red flags. Aqui estão os sinais de alerta mais críticos, organizados por categoria.
Sinais financeiros de alerta
- Crescimento de receita inconsistente com o setor
- Margens significativamente acima dos competidores (insustentáveis?)
- EBITDA ajustado por múltiplos add-backs questionáveis
- Contas a receber crescendo mais rápido que receita
- Concentração excessiva em poucos clientes (>30% em um cliente)
- Dependência de receita não recorrente contabilizada como recorrente
- Transações relevantes com partes relacionadas
- Mudanças frequentes de auditor
Red flags jurídicas e tributárias
- Processos judiciais de alto valor não provisionados
- Contratos-chave sem cláusula de cessão ou com change of control adverso
- Planejamento tributário agressivo (ágio interno, etc.)
- Contingências tributárias em discussão sem provisão adequada
- Pendências regulatórias não resolvidas
- Propriedade intelectual não registrada ou contestada
Indicadores reputacionais negativos
- Sócios ou executivos com processos de fraude
- Histórico de empresas anteriores problemáticas
- Conexões com pessoas politicamente expostas
- Mídia negativa recorrente
- Alta rotatividade em cargos de liderança
- Relacionamento conflituoso com ex-funcionários
Problemas de governança corporativa
- Ausência de controles internos formalizados
- Conselho de administração inexistente ou figurativo
- Concentração excessiva de poder em uma pessoa
- Conflitos de interesse não declarados
- Ausência de código de ética e compliance
Due Diligence em Startups: Particularidades e Riscos
O mercado de venture capital e M&A de startups no Brasil está aquecido. Mas startups apresentam desafios únicos para due diligence — e exigem abordagem diferenciada.
Menor formalização documental
Startups frequentemente operam com:
- Contratos informais ou incompletos
- Propriedade intelectual não registrada
- Documentação societária desatualizada
- Ausência de auditorias formais
- Controles financeiros rudimentares
A ausência de documentação não é necessariamente deal breaker — mas exige diligência mais criativa e maior proteção contratual.
Importância da DD de fundadores
Em uma startup, os fundadores são o ativo principal. Uma due diligence reputacional profunda dos founders é ainda mais crítica que em empresas estabelecidas:
- Histórico em empresas anteriores
- Reputação no ecossistema de startups
- Processos judiciais e conflitos societários passados
- Competência técnica verificável
- Potenciais conflitos de interesse ou dedicação parcial
Propriedade intelectual e tecnologia
Muitas aquisições de startups são motivadas por tecnologia ou PI. A diligência deve verificar:
- A empresa realmente detém a PI que alega?
- Funcionários assinaram cessão de direitos?
- Existe código de terceiros com licenças problemáticas?
- A tecnologia é defensável ou facilmente replicável?
- Qual o nível de débito técnico?
Como a Tecnologia Transforma a Due Diligence em M&A
A due diligence tradicional — pilhas de documentos, semanas de análise manual — está sendo transformada por tecnologia.
Inteligência artificial na análise de dados
IA e machine learning aceleram múltiplas frentes:
- Análise de contratos: identificação automática de cláusulas críticas em milhares de documentos
- Detecção de anomalias: padrões suspeitos em dados financeiros
- Processamento de linguagem natural: análise de mídia e documentos não estruturados
- Conexões societárias: mapeamento de redes de relacionamento entre pessoas e empresas
Plataformas de investigação automatizada
Ferramentas especializadas como o Sherlocker integram múltiplas bases de dados e automatizam investigações que antes levavam semanas:
- Background check instantâneo em dezenas de bases
- Monitoramento contínuo de processos e mídia
- Detecção de conexões ocultas entre pessoas e empresas
- Relatórios estruturados para integração ao processo de DD
Data rooms virtuais
Data rooms evoluíram de pastas físicas para plataformas sofisticadas com:
- Controle granular de acesso
- Trilha de auditoria completa
- Integração com ferramentas de análise
- Colaboração em tempo real entre equipes
Quanto Tempo e Quanto Custa uma Due Diligence?
Uma pergunta frequente — e a resposta é: depende.
Fatores que influenciam tempo e custo
Tamanho e complexidade da operação:
- Uma aquisição de R$ 10 milhões pode exigir DD de 2-4 semanas
- Uma operação de R$ 500 milhões pode demandar 3-6 meses
Qualidade da documentação do target:
- Data room bem organizado acelera significativamente
- Documentação fragmentada ou inexistente estende prazos
Escopo da diligência:
- DD focada apenas em financeiro e jurídico é mais rápida
- DD completa incluindo operacional, tecnológico e reputacional leva mais tempo
Pressão de timeline:
- Processos competitivos (auction) frequentemente comprimem prazos
- Compressão excessiva aumenta risco de perder red flags críticos
Estimativas de mercado
Ranges típicos para o mercado brasileiro:
| Porte da Operação | Timeline Típico | Custo de DD |
|---|---|---|
| Até R$ 50M | 3-6 semanas | R$ 200K - R$ 500K |
| R$ 50M - R$ 200M | 6-10 semanas | R$ 500K - R$ 2M |
| R$ 200M - R$ 1B | 2-4 meses | R$ 2M - R$ 10M |
| Acima de R$ 1B | 3-6 meses | R$ 10M+ |
O custo de DD como percentual do deal value tipicamente varia entre 0,5% e 2%. Parece caro — até você comparar com o custo de uma aquisição fracassada.
Conclusão: Due Diligence Não é Custo, é Proteção
O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano. Nesse volume, a diferença entre as empresas que criam valor e as 70% que destroem frequentemente se resume à qualidade da due diligence realizada.
Três lições emergem consistentemente dos casos de sucesso e fracasso:
- Due diligence não é checkbox — É investigação real, com recursos adequados e tempo suficiente
- Due diligence reputacional não é opcional — Números e contratos não revelam problemas de pessoas. O caso HP-Autonomy mostrou que mesmo Big Four podem perder fraudes quando não investigam profundamente as pessoas
- Tecnologia é multiplicador, não substituto — IA acelera análise e amplia cobertura, mas o julgamento humano permanece essencial
Se sua empresa está avaliando uma aquisição, a pergunta não é se você pode pagar por uma due diligence completa — é se você pode arcar com as consequências de não fazer.
Para due diligence reputacional e investigação de pessoas em operações de M&A, plataformas especializadas como o Sherlocker oferecem o poder da IA aplicado à investigação empresarial — revelando os riscos que balanços e contratos não mostram.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Due Diligence em M&A
O que é due diligence em M&A?
Due diligence em M&A é o processo de investigação e verificação sistemática de uma empresa-alvo antes de uma fusão ou aquisição. Envolve análise financeira, jurídica, tributária, operacional, tecnológica e reputacional para identificar riscos e validar o valor da empresa.
Quais são as etapas da due diligence?
As principais etapas são: 1) Definição de escopo e objetivos; 2) Montagem da equipe; 3) Solicitação de documentos e organização do data room; 4) Análise financeira; 5) Revisão jurídica e contratual; 6) Due diligence de pessoas (background check); 7) Avaliação de riscos e red flags; 8) Relatório final e negociação de ajustes.
Quanto tempo dura uma due diligence?
O prazo varia conforme complexidade da operação. Deals menores podem exigir 3-6 semanas. Operações de grande porte tipicamente demandam 3-6 meses. Processos competitivos (auction) frequentemente comprimem esses prazos — aumentando riscos.
Quem faz a due diligence?
A due diligence é conduzida pelo comprador (ou pelo vendedor, em vendor due diligence). Tipicamente envolve equipes multidisciplinares: advogados corporativos e tributários, contadores, consultores de TI, investigadores para diligência reputacional e consultores setoriais.
Qual a diferença entre due diligence e auditoria?
Auditoria tradicional verifica conformidade contábil de demonstrações financeiras — é retrospectiva e focada em compliance. Due diligence é prospectiva e estratégica: avalia riscos, sustentabilidade do negócio e potenciais deal breakers que impactam o valor futuro.
O que acontece se não fizer due diligence?
Sem due diligence adequada, o comprador assume riscos desconhecidos: passivos ocultos, contingências não provisionadas, contratos com change of control adverso, problemas reputacionais de sócios e executivos. Estudos mostram que 31% das falhas em M&A resultam de diligência inadequada.
Escrito por
Bruno FragaArtigos relacionados

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