Fraudes Corporativas: Como Identificar, Investigar e Prevenir na Sua Empresa

Bruno Fraga11 min de leitura
Fraudes Corporativas: Como Identificar, Investigar e Prevenir na Sua Empresa

Em algum lugar do Brasil, neste exato momento, um funcionário de confiança está desviando recursos da empresa onde trabalha. Talvez seja um gerente financeiro que aprovou uma nota fiscal de um fornecedor fantasma. Ou um comprador que recebe comissões ilegais de um parceiro comercial. O mais perturbador? A empresa provavelmente só vai descobrir daqui a 18 meses — se descobrir.

Os números revelam uma realidade incômoda: 63% das empresas brasileiras detectaram ao menos uma fraude nos últimos 12 meses, segundo o Diagnóstico das Fraudes no Brasil da Grant Thornton. E essas são apenas as fraudes detectadas. O prejuízo oculto pode ser ainda maior.

Se você é gestor, empresário ou profissional de compliance, este guia vai além dos conselhos genéricos. Vamos desvendar como as fraudes corporativas realmente acontecem, quem são os fraudadores, quais sinais você está ignorando — e o que fazer quando a fraude já está em andamento.

O que são fraudes corporativas?

Fraude corporativa é qualquer ato intencional de engano praticado por funcionários, gestores ou terceiros que resulta em perdas financeiras ou vantagens indevidas para o fraudador, às custas da organização.

A palavra-chave aqui é intencional. Diferente de erros operacionais ou falhas de processo, a fraude corporativa pressupõe dolo — a decisão consciente de prejudicar a empresa para benefício próprio ou de terceiros.

Essa distinção é crucial. Um funcionário que preenche uma planilha errada cometeu um erro. Um funcionário que altera deliberadamente números para esconder um desvio cometeu uma fraude.

O Código Penal brasileiro tipifica diversas condutas que se enquadram como fraudes corporativas: estelionato (artigo 171), apropriação indébita (artigo 168), falsidade ideológica (artigo 299) e peculato em empresas públicas (artigo 312). As penalidades variam de 1 a 8 anos de reclusão, dependendo do crime e das circunstâncias.

Panorama das fraudes no Brasil: dados atualizados

Os dados mais recentes pintam um quadro preocupante — e revelador.

O estudo da Grant Thornton, realizado com centenas de empresas brasileiras, expõe a anatomia das fraudes corporativas no país:

  • 63% das empresas detectaram ao menos um caso de fraude nos últimos 12 meses
  • 73% dos fraudadores tiveram ganho financeiro como motivação principal
  • 93% dos casos recuperaram menos de 20% do valor perdido
  • 78% das fraudes são apropriação indébita com valores abaixo de US$ 200 mil
  • 59% das fraudes são detectadas por canais de denúncia
  • 40% dos casos tiveram perdas superiores a R$ 500 mil

O dado sobre recuperação é especialmente alarmante. Mesmo quando a fraude é descoberta, a empresa recupera quase nada do que perdeu. O fraudador já consumiu os recursos, transferiu para terceiros ou ocultou em estruturas difíceis de rastrear.

Outro número chama atenção: 85% das empresas têm código de conduta, mas apenas 44% oferecem treinamento antifraude. Há uma lacuna entre ter políticas no papel e implementá-las na prática. Muitas organizações acreditam que um documento formal é suficiente para prevenir condutas ilícitas — não é.

Tipos de fraudes corporativas mais comuns

As fraudes corporativas assumem várias formas, mas alguns padrões se repetem sistematicamente. Conhecer esses esquemas é o primeiro passo para identificá-los.

Apropriação indébita de ativos

É o tipo mais frequente, representando 78% dos casos segundo a pesquisa da Grant Thornton. O funcionário simplesmente desvia recursos que estão sob sua custódia: dinheiro do caixa, mercadorias do estoque, equipamentos da empresa.

Exemplos típicos:

  • Gerente de loja que não registra vendas e embolsa o dinheiro
  • Comprador que superfatura pedidos e divide a diferença com fornecedor
  • Funcionário que cadastra fornecedor fantasma e aprova pagamentos fictícios
  • Responsável pelo estoque que desvia mercadorias e manipula inventário

Manipulação contábil e demonstrações financeiras

Mais sofisticada e difícil de detectar, essa fraude envolve alterar registros contábeis para apresentar resultados diferentes da realidade. Pode ser para esconder perdas, atingir metas e receber bônus, ou inflar o valor da empresa antes de uma venda.

Sinais de alerta:

  • Receitas que crescem muito mais rápido que o caixa
  • Margens de lucro inconsistentes com o setor
  • Provisões para devedores duvidosos anormalmente baixas
  • Transações significativas perto do fechamento do trimestre

Conflito de interesses e corrupção

O funcionário usa sua posição para beneficiar empresas nas quais tem interesse pessoal. Pode ser participação societária, parentesco com proprietários ou simplesmente recebimento de propinas.

Um caso clássico: o gerente de compras que direciona contratos para a empresa do cunhado, mesmo com preços 30% acima do mercado. A empresa perde duplamente — paga mais caro e deixa de contratar fornecedores que poderiam entregar melhor qualidade.

Fraudes em despesas e reembolsos

Funcionários inflam despesas de viagem, criam recibos falsos ou pedem reembolso de gastos pessoais como se fossem corporativos. É a fraude mais comum em empresas que não têm controles rigorosos sobre o processo de reembolso.

O valor individual costuma ser baixo — uma nota de R$ 200 aqui, um táxi de R$ 80 ali. Mas multiplicado por dezenas de funcionários ao longo de meses, o prejuízo acumulado é substancial.

Fraudes trabalhistas e de folha de pagamento

Funcionários fantasmas na folha, horas extras inexistentes, comissões sobre vendas que não aconteceram. Essas fraudes geralmente requerem conivência do departamento de RH ou gestores que aprovam os registros.

Evasão fiscal e fraudes tributárias

Empresas que emitem notas fiscais frias, subfaturam exportações, simulam operações para gerar créditos tributários indevidos. Embora a beneficiária seja a própria empresa (não um funcionário individual), são fraudes corporativas que expõem a organização a penalidades severas.

O perfil do fraudador: quem comete fraudes nas empresas

Esqueça o estereótipo do funcionário novo e desconhecido. Os dados mostram um perfil bem diferente — e mais perturbador.

Tempo de empresa

Os fraudadores corporativos típicos têm mais de 5 anos de casa. São pessoas que conhecem os processos, sabem onde estão as vulnerabilidades e conquistaram a confiança necessária para operar sem supervisão rigorosa.

Quanto maior o tempo de empresa, maior tende a ser o valor desviado. O funcionário veterano entende como esconder rastros e manipular controles que ele mesmo ajudou a construir.

Cargo e posição hierárquica

A maioria das fraudes é cometida por pessoas em posições de gestão. Gerentes, diretores e supervisores têm acesso a recursos, autoridade para aprovar transações e menos supervisão direta.

Isso não significa que funcionários operacionais não fraudem — apenas que suas fraudes costumam ser de menor valor. O caixa que desvia R$ 500 é mais fácil de detectar que o diretor financeiro que estrutura um esquema de R$ 5 milhões.

Motivação

Por que pessoas aparentemente honestas cruzam a linha? O triângulo da fraude, desenvolvido pelo criminologista Donald Cressey, explica:

  1. Pressão: problemas financeiros pessoais, dívidas, vício em apostas, estilo de vida incompatível com o salário
  2. Oportunidade: controles fracos, falta de segregação de funções, supervisão ausente
  3. Racionalização: "a empresa me deve isso", "todo mundo faz", "é só um empréstimo temporário"

Os três elementos precisam estar presentes. Pessoas sob pressão financeira não cometem fraude se não houver oportunidade. E mesmo com oportunidade, muitos não agem porque não conseguem racionalizar o comportamento antiético.

Sinais comportamentais

Fraudadores frequentemente exibem padrões de comportamento que deveriam levantar suspeitas:

  • Nunca tiram férias — precisam estar presentes para manter o esquema funcionando
  • Trabalham sozinhos — resistem a delegar ou compartilhar responsabilidades
  • Vivem acima do padrão — carros, viagens e aquisições incompatíveis com o salário
  • São excessivamente controladores — não deixam ninguém se aproximar dos processos que manipulam
  • Têm relacionamentos estreitos com fornecedores — confraternizações frequentes, presentes, viagens

Nenhum desses sinais é prova de fraude — mas a combinação de vários deve acender um alerta.

Sinais de alerta: como identificar fraudes na empresa

A detecção precoce é crucial. Quanto mais tempo uma fraude opera, maior o prejuízo acumulado e menor a chance de recuperação. Estes são os red flags que gestores e auditores devem monitorar.

Anomalias em documentos e transações

  • Fornecedores recém-cadastrados que recebem grandes pagamentos rapidamente
  • Notas fiscais com numeração fora de sequência
  • Pagamentos recorrentes em valores "redondos" (R$ 10.000, R$ 50.000)
  • Transações processadas fora do horário comercial ou em finais de semana
  • Contratos sem assinatura de testemunhas ou com cláusulas atípicas
  • Duplicatas vencidas que são constantemente renegociadas

Inconsistências operacionais

  • Estoque físico divergente do sistema (e a diferença sempre explicada como "erro de contagem")
  • Vendas canceladas ou devolvidas em proporção anormal
  • Clientes fantasmas que nunca reclamam de atrasos ou problemas
  • Departamentos que consistentemente gastam exatamente o orçamento — nem mais, nem menos

Resistência a controles

  • Funcionários que resistem a auditorias ou questionam procedimentos de verificação
  • Gestores que insistem em aprovar certas transações pessoalmente
  • Pessoas que ficam nervosas ou agressivas quando seu trabalho é revisado
  • Recusa em usar sistemas corporativos (preferindo planilhas pessoais)

Denúncias e rumores

Lembre-se: 59% das fraudes são descobertas por canais de denúncia. Quando funcionários ou terceiros reportam suspeitas, a empresa precisa investigar — mesmo que a denúncia pareça motivada por desavenças pessoais.

Muitas vezes, a primeira denúncia sobre um fraudador é descartada como "intriga de escritório". Meses depois, quando a fraude é comprovada, a empresa descobre que havia sinais claros que foram ignorados.

Impactos das fraudes corporativas

Os prejuízos de uma fraude corporativa vão muito além do valor desviado. As consequências se multiplicam em várias dimensões.

Impacto financeiro direto

O valor desviado é apenas o começo. Some a isso:

  • Custos de investigação (auditores, advogados, peritos)
  • Honorários advocatícios para processos judiciais
  • Multas e penalidades regulatórias
  • Aumento de prêmios de seguros
  • Juros e correção sobre impostos sonegados

Empresas que sofrem fraudes significativas frequentemente descobrem que o custo total é 3 a 5 vezes maior que o valor originalmente desviado.

Impacto reputacional

Quando a fraude se torna pública, a marca sofre. Clientes questionam se podem confiar na empresa. Fornecedores ficam receosos de conceder crédito. Investidores reavaliam o risco.

Em mercados competitivos, a reputação manchada pode significar perda permanente de market share. Empresas levam anos — às vezes décadas — para reconstruir a confiança perdida.

Impacto no clima organizacional

Funcionários honestos se sentem traídos quando descobrem que um colega fraudava a empresa. A confiança no ambiente de trabalho é abalada. Muitos questionam: "se ele fez isso por anos sem ser descoberto, o que mais está acontecendo?"

O clima de desconfiança pode levar a uma cultura de vigilância excessiva, onde processos ficam engessados e a produtividade cai. Ou, no extremo oposto, a uma atitude de "se não podem confiar em nós, por que deveríamos nos importar?"

Consequências legais

Dependendo da natureza da fraude, a empresa pode enfrentar:

  • Processos criminais contra os perpetradores
  • Ações civis para recuperação de valores
  • Procedimentos administrativos em órgãos reguladores
  • Responsabilização de gestores que falharam na supervisão
  • Implicações da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) se houver envolvimento de agentes públicos

Como prevenir fraudes corporativas

Prevenção eficaz requer múltiplas camadas de proteção. Nenhuma medida isolada é suficiente — a combinação é que cria resiliência.

Segregação de funções

O princípio fundamental: nenhuma pessoa deve controlar todas as etapas de um processo crítico. Quem requisita uma compra não deve ser quem aprova. Quem emite um pagamento não deve ser quem concilia o extrato.

A segregação cria checkpoints naturais. Para fraudar o sistema, o perpetrador precisaria da conivência de múltiplas pessoas — o que aumenta drasticamente o risco de ser descoberto.

Canal de denúncias efetivo

Um canal de denúncias não é apenas uma caixa postal para reclamações. Para funcionar, precisa ser:

  • Acessível: funcionários, terceiros e clientes conseguem reportar facilmente
  • Confidencial: denunciantes são protegidos de retaliação
  • Responsivo: denúncias são investigadas e há feedback sobre o resultado
  • Independente: gerido por área ou empresa que não responde aos potenciais fraudadores

Empresas com canais de denúncia bem implementados detectam fraudes 50% mais rápido que empresas sem esse mecanismo.

Due diligence em terceiros

Fornecedores, parceiros comerciais e prestadores de serviços são vetores frequentes de fraude. A due diligence empresarial antes de estabelecer relacionamentos comerciais identifica:

  • Histórico de inadimplência ou litígios
  • Conexões com funcionários da empresa (conflito de interesses)
  • Capacidade operacional real para entregar o contratado
  • Presença em listas restritivas ou de sanções

Auditorias surpresa

Auditorias programadas são necessárias, mas previsíveis. Fraudadores sofisticados sabem quando a auditoria acontece e preparam a documentação para esse momento.

Auditorias surpresa — verificações não anunciadas em processos específicos — mantêm o ambiente de controle ativo o tempo todo. O funcionário nunca sabe quando seu trabalho será revisado.

Política de férias obrigatórias

Lembra que fraudadores evitam tirar férias? Políticas que obrigam ausências de pelo menos 10 dias consecutivos criam uma janela onde outra pessoa assume as funções. Se há irregularidade, frequentemente é durante essa ausência que os problemas aparecem.

Cultura ética e tom do topo

Nenhum controle técnico substitui uma cultura organizacional que valoriza integridade. Quando líderes demonstram — com ações, não apenas palavras — que comportamento ético é inegociável, isso permeia toda a organização.

O inverso também é verdade. Se a liderança tolera "pequenos desvios" ou trata compliance como obstáculo burocrático, funcionários entendem que as regras são flexíveis.

O papel da tecnologia na detecção de fraudes

Controles manuais têm limites. Um auditor consegue revisar uma amostra de transações — mas não consegue analisar milhões de registros buscando padrões anômalos. É aí que a tecnologia entra.

Analytics e detecção de anomalias

Algoritmos de inteligência artificial conseguem processar volumes massivos de dados e identificar padrões que escapariam à análise humana:

  • Fornecedores com comportamento atípico de faturamento
  • Funcionários com padrões de aprovação inconsistentes
  • Transações que fogem do perfil histórico
  • Conexões ocultas entre entidades (funcionários, empresas, contas)

A vantagem é escala e velocidade. O que levaria semanas de trabalho manual pode ser analisado em horas.

Monitoramento contínuo

Em vez de auditorias pontuais, sistemas de monitoramento contínuo avaliam transações em tempo real. Alertas são gerados quando comportamentos suspeitos são detectados, permitindo intervenção imediata.

Plataformas de investigação empresarial como o Sherlocker integram análise de dados com inteligência artificial para identificar riscos antes que se transformem em perdas significativas.

Background check automatizado

Verificar o histórico de funcionários no momento da contratação é importante — mas não suficiente. As circunstâncias mudam. O funcionário que era financeiramente estável há 5 anos pode estar hoje endividado e pressionado.

Processos de verificação contínua, que monitoram indicadores de risco ao longo do tempo, complementam o background check inicial.

O que fazer quando uma fraude é descoberta

Descobrir uma fraude é apenas o começo. A resposta nas primeiras horas e dias determina se a empresa conseguirá minimizar perdas e responsabilizar os envolvidos.

Preservação de evidências

Antes de qualquer confronto ou acusação, preserve as provas:

  • Faça backup de emails, arquivos e sistemas relevantes
  • Documente evidências físicas com fotos e vídeos
  • Registre cronologicamente como a fraude foi descoberta
  • Restrinja acesso dos suspeitos aos sistemas corporativos
  • Não altere nada que possa ser evidência

Evidências mal preservadas podem ser inadmissíveis em processos judiciais ou administrativos.

Investigação estruturada

A investigação deve ser conduzida por profissionais com expertise em fraudes corporativas — seja uma equipe interna independente ou consultores externos. Conflitos de interesse precisam ser eliminados: ninguém envolvido no processo investigado pode participar da apuração.

A investigação deve responder:

  • O que aconteceu exatamente?
  • Quem são os envolvidos (executores, coniventes, beneficiários)?
  • Qual o período e a extensão dos desvios?
  • Como os controles falharam?
  • Há outros processos vulneráveis ao mesmo tipo de fraude?

Ações legais

Com base nos resultados da investigação, a empresa decide sobre:

  • Processo criminal: boletim de ocorrência e representação ao Ministério Público
  • Ação civil: processo de reparação de danos contra os fraudadores
  • Rescisão por justa causa: demissão com base nas evidências coletadas
  • Comunicação a reguladores: quando exigido por lei ou normas setoriais

Cada decisão deve ser tomada com assessoria jurídica, considerando riscos de responsabilização por acusações infundadas.

Remediação e fortalecimento de controles

A fraude revelou vulnerabilidades. Depois de apurar o caso específico, a empresa precisa:

  • Corrigir os controles que falharam
  • Revisar processos similares que podem ter as mesmas vulnerabilidades
  • Treinar funcionários sobre os novos procedimentos
  • Comunicar internamente (na medida apropriada) que fraudes são detectadas e punidas

Ignorar a etapa de remediação é garantir que outras fraudes aconteçam.

Aspectos legais das fraudes corporativas no Brasil

O ordenamento jurídico brasileiro trata fraudes corporativas em múltiplas esferas.

Código Penal

As principais tipificações criminais:

  • Estelionato (art. 171): obter vantagem ilícita mediante artifício ou engano — pena de 1 a 5 anos
  • Apropriação indébita (art. 168): apropriar-se de coisa alheia de que tem posse — pena de 1 a 4 anos
  • Falsidade ideológica (art. 299): omitir ou alterar declaração em documento — pena de 1 a 5 anos
  • Peculato (art. 312): quando envolve funcionário público — pena de 2 a 12 anos

Para crimes contra o sistema financeiro ou a ordem tributária, a legislação especial prevê penas ainda mais severas.

Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013)

Quando a fraude envolve vantagens indevidas a agentes públicos ou licitações, a Lei Anticorrupção pode ser aplicada. A empresa (não apenas os indivíduos) pode ser responsabilizada, com multas de até 20% do faturamento bruto.

Empresas com programas de compliance efetivos podem ter atenuação das penalidades — o que reforça a importância de estruturar controles antes que problemas aconteçam.

Responsabilidade civil

Independentemente de condenação criminal, fraudadores podem ser processados civilmente para reparação de danos. A empresa pode buscar:

  • Ressarcimento dos valores desviados
  • Indenização por danos morais (reputação)
  • Bloqueio de bens para garantir pagamento futuro

A responsabilização civil tem padrão probatório menos rigoroso que o processo criminal, o que às vezes permite vitórias mesmo quando não há condenação penal.

Conclusão: prevenção é sempre mais barata que remediação

Fraudes corporativas não são exceção — são estatisticamente prováveis. Com 63% das empresas brasileiras reportando incidentes, a questão não é se sua empresa será testada, mas quando.

A boa notícia: organizações que implementam controles robustos, cultivam cultura ética e investem em tecnologia de detecção sofrem menos e se recuperam mais rápido.

A má notícia: não há solução mágica. Prevenir fraudes exige investimento contínuo, vigilância permanente e disposição para enfrentar descobertas desconfortáveis.

O primeiro passo é entender a realidade da sua organização. Quais processos são mais vulneráveis? Onde estão as concentrações de poder sem supervisão adequada? Seus funcionários conhecem e utilizam o canal de denúncias?

A investigação empresarial inteligente combina expertise humana com tecnologia de análise de dados para identificar riscos antes que se transformem em crises. Empresas que agem proativamente não apenas evitam perdas — constroem ambientes onde condutas antiéticas são a exceção, não a tentação.

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Escrito por

Bruno Fraga

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