Site de Investigação Grátis: 9 Fontes Reais para Pesquisar Pessoas e Empresas

Site de Investigação Grátis: 9 Fontes Reais para Pesquisar Pessoas e Empresas

Bruno Fraga
Bruno Fraga
10 de jul. de 2026·11 min read

Sim, existe site de investigação grátis que funciona. Vários, na verdade — o problema é que ninguém organiza essa lista direito. Você pesquisa no Google e encontra artigo de 2018 recomendando ferramenta americana que não serve para nada no Brasil, ou lista genérica que manda você "usar o Google".

Aqui está o mapa real: 9 fontes gratuitas brasileiras (e duas open source), organizadas pelo que você quer descobrir — processos, empresas, bens ou redes sociais. Com o que cada uma entrega, o passo a passo e, principalmente, onde cada uma para de funcionar. Porque é aí que a maioria das investigações trava.

Resumo rápido: qual site de investigação grátis usar para cada objetivo

ObjetivoFonte gratuitaO que entrega
Processos judiciaisJus.brConsulta unificada nos tribunais
Processos + contextoEscavador, JusbrasilBusca por nome, resumos, diários oficiais
Empresas e sóciosConsulta CNPJ da ReceitaCadastro, quadro societário, situação
ImóveisRegistro de Imóveis (ONR)Busca em cartórios (taxa por certidão)
Perfis em redes sociaisSherlock, NamechkUsername em centenas de plataformas
Vazamentos de dadosHave I Been PwnedE-mail em vazamentos conhecidos

Agora o detalhe de cada uma — e os limites que ninguém conta.

O que um site de investigação grátis entrega (e o que não entrega)

Antes da lista, calibre a expectativa. Com fontes públicas gratuitas, você descobre:

  • Processos judiciais em que a pessoa é parte (autora ou ré)
  • Empresas em que ela aparece como sócia ou administradora
  • Situação cadastral de CPF e CNPJ na Receita Federal
  • Presença digital: perfis, usernames, e-mails em vazamentos
  • Vínculos indiretos: sócios em comum, endereços repetidos, familiares em quadros societários

O que você não descobre de graça: saldo bancário, declaração de imposto de renda, dados sigilosos de qualquer natureza. Quem promete isso está vendendo dado vazado — e comprar dado vazado é crime, não investigação.

Tem um terceiro grupo, e é o mais importante: o que existe de graça mas está espalhado. O imóvel está no cartório de uma comarca que você nem sabe qual é. A empresa do devedor está no nome do cunhado. O vínculo existe, é público, mas nenhuma consulta isolada mostra. Guarde esse ponto — a gente volta nele.

Sites grátis para consultar processos judiciais

1. Jus.br — o portal oficial do Judiciário

O Jus.br é o ponto de partida. Portal do próprio Judiciário, unifica a consulta processual que antes exigia visitar tribunal por tribunal. Digite CPF, CNPJ, nome ou número do processo e veja as ações públicas em que a pessoa aparece.

Como usar: acesse, autentique-se com gov.br e pesquise. A consulta é gratuita.

Onde para: processos em segredo de justiça não aparecem. A cobertura de tribunais estaduais varia — alguns TJs ainda têm integração parcial. E o resultado é processual puro: número, classe, movimentações. Interpretar o que aquilo significa é com você.

2. Escavador — busca por nome com contexto

O Escavador indexa diários oficiais e tribunais de todo o país. O diferencial: busca por nome funciona bem, e o sistema monta uma página por pessoa com processos, publicações em diário oficial e vínculos acadêmicos.

Onde para: o conteúdo completo (movimentações detalhadas, acompanhamento, resumos com IA) fica atrás do paywall. A versão gratuita serve para localizar — não para acompanhar.

3. Jusbrasil — o maior acervo, com alertas

O Jusbrasil tem o maior acervo de dados jurídicos indexados do país e permite acompanhar um CPF com alertas gratuitos — útil para monitorar se alguém passa a ser citado em processo novo.

Onde para: mesma lógica do Escavador. A busca localiza de graça; o detalhe é pago. E a busca por nome sofre com homônimos — "José da Silva" retorna milhares de resultados sem filtro confiável.

Sites grátis para investigar empresas e sócios

4. Consulta CNPJ da Receita Federal

A consulta de CNPJ da Receita entrega o cartão CNPJ completo de qualquer empresa: razão social, situação cadastral, endereço, atividade econômica, capital social e o QSA — quadro de sócios e administradores.

Como usar: digite o CNPJ e resolva o captcha. Sem cadastro, sem custo.

Onde para: a consulta é por CNPJ, um de cada vez. A pergunta que o investigador realmente faz — "em quais empresas essa PESSOA é sócia?" — a consulta pública não responde. Esse caminho inverso (CPF → empresas) é exatamente o que separa a consulta pontual da investigação de verdade.

5. Dados Abertos do CNPJ — a base inteira, para quem sabe usar

A Receita publica mensalmente a base completa do CNPJ como dados abertos: todas as empresas do Brasil, com quadros societários. É o insumo bruto que alimenta as ferramentas profissionais do mercado.

Onde para: são dezenas de gigabytes em arquivos CSV. Sem conhecimento técnico (banco de dados, scripts), a base é inutilizável. É gratuito no sentido de "o mármore é gratuito na pedreira" — a escultura é outro trabalho.

Sites grátis para buscar bens e imóveis

6. Registro de Imóveis eletrônico (ONR/SREI)

O portal do Registro de Imóveis, operado pelo ONR, centraliza a busca nos cartórios de registro do país. É a via oficial para descobrir imóveis em nome de uma pessoa.

Como usar: na pesquisa de bens, informe CPF ou CNPJ e selecione os estados de interesse. O sistema varre os cartórios da circunscrição.

Onde para: aqui o "grátis" acaba — a busca gera taxa por certidão e por estado consultado. E o resultado depende de onde você procura: imóvel registrado em comarca que você não incluiu na busca simplesmente não aparece. Devedor com patrimônio escondido raramente tem imóvel no próprio nome, aliás. O caminho real costuma passar por busca de bens do devedor via vínculos: empresas, cônjuges, laranjas.

Ferramentas OSINT grátis para redes sociais

Investigação em fontes abertas — OSINT — tem um arsenal open source respeitável. Duas ferramentas resolvem 80% dos casos de presença digital:

7. Sherlock — username em 400+ plataformas

O Sherlock é um projeto open source em Python que busca um username em centenas de redes sociais de uma vez. Achou o apelido da pessoa no Instagram? O Sherlock mostra onde mais aquele username existe — Twitter/X, TikTok, fóruns, marketplaces.

Onde para: exige rodar via linha de comando (ou usar um dos wrappers online, com limitações). E username igual não prova que é a mesma pessoa — é pista, não prova. Para transformar pista em dossiê, o processo completo está no guia de rastreamento de perfis com OSINT.

8. Namechk — a versão sem código

O Namechk faz busca parecida direto no navegador: digite o username e veja em quais plataformas ele está registrado. Menos profundo que o Sherlock, mas zero fricção.

9. Have I Been Pwned — e-mails em vazamentos

O Have I Been Pwned verifica se um e-mail apareceu em vazamentos de dados conhecidos. Na investigação, serve para confirmar que um e-mail existe e está ativo há tempo — e para mapear em quais serviços a pessoa tinha conta.

Onde para: ele diz QUE o e-mail vazou, não o conteúdo do vazamento. E deve ser assim: acessar o conteúdo de dados vazados é onde a investigação legítima termina e o crime começa.

Pergunta que separa o investigador profissional do amador: consultar tudo isso é permitido?

Consultar fonte pública é legal. Processo judicial público, cadastro de empresa, perfil aberto em rede social — tudo isso é informação pública por definição. O princípio da publicidade dos atos processuais e registrais existe justamente para isso.

O que a LGPD muda: a Lei 13.709/2018 não proíbe consultar dados públicos — ela regula o tratamento deles. Na prática: você precisa de finalidade legítima, deve coletar só o necessário para essa finalidade e responde pelo uso que fizer do dado. Instruir um processo é finalidade legítima. Verificar um parceiro comercial, recuperar um crédito, checar um fornecedor antes de fechar contrato — tudo legítimo. Curiosidade sobre a vida do vizinho, não. (E "mas estava público" não vira defesa quando o uso é abusivo.)

O que é crime, sem zona cinzenta: acessar conta alheia (mesmo com senha "descoberta"), interceptar comunicações, comprar bases de dados vazadas, usar dado sigiloso obtido por terceiros. Nenhuma dessas práticas é investigação — é infração da Lei 12.737/2012 e correlatas, e contamina qualquer prova que você pretenda usar.

Regra prática: se a informação está acessível a qualquer cidadão pelos canais oficiais, consulte à vontade — com finalidade documentada. Se exige senha, invasão ou "um contato que vende", pare.

O problema das 15 abas: quando o grátis sai caro

Agora o ponto que essa lista inteira estava esperando.

Cada fonte acima responde uma pergunta. Nenhuma responde A pergunta — que quase nunca é "essa pessoa tem processo?" e quase sempre é "o que essa pessoa está escondendo?"

Um caso real do tipo que a gente vê toda semana: advogado de execução, devedor que jura não ter nada. A consulta de CNPJ mostra que ele saiu formalmente das empresas. O Jus.br mostra os processos, nada de novo. Cada consulta isolada confirma a versão do devedor.

Aí você cruza: o CPF da esposa aparece no QSA de uma empresa aberta dois meses depois da citação. O endereço dessa empresa é o mesmo da antiga sede da empresa "encerrada" do devedor. O sócio majoritário é o motorista dele — um laranja clássico. Três consultas públicas, cruzadas, desmontam a blindagem. Isoladas, não mostravam nada.

Esse cruzamento manual é possível. É o que investigadores fizeram durante décadas: 15 abas abertas, planilha do lado, dias de trabalho — e a chance real de a conexão decisiva passar despercebida na aba 12.

É esse trabalho que o Sherlocker automatiza. Digite um CPF ou CNPJ e a plataforma cruza mais de 50 fontes públicas de uma vez, monta o grafo de conexões e mostra o que as consultas isoladas escondem: sócios ocultos, empresas em nome de familiares, grupos econômicos inteiros atrás de uma razão social inocente. O que levava dias, leva minutos.

E coerente com o que trouxe você até aqui: dá para testar grátis por 5 dias, sem contrato e sem falar com vendedor.

Perguntas Frequentes

Existe site de investigação totalmente gratuito?

Para consultas pontuais, sim — Jus.br, consulta CNPJ da Receita e ferramentas OSINT open source são 100% gratuitos. O que não existe de graça é o cruzamento automático entre as fontes. Essa camada ou custa horas do seu trabalho manual, ou custa uma assinatura.

Como consultar processos de uma pessoa pelo CPF grátis?

Comece pelo Jus.br, que unifica a consulta dos tribunais com login gov.br. Escavador e Jusbrasil complementam com busca por nome e alertas. Lembre: segredo de justiça não aparece em nenhum deles.

Como descobrir os bens de uma pessoa?

Não há consulta central e gratuita de patrimônio no Brasil. Imóveis: cartórios via ONR (pago por certidão). Veículos e outros ativos: vias indiretas — processos, quadros societários, vínculos. Patrimônio dissimulado exige cruzamento de fontes, não consulta isolada.

Investigar uma pessoa pela internet é crime?

Consultar fontes públicas, não. A LGPD exige finalidade legítima para o tratamento dos dados, e é nela que o profissional se ancora. Crime é invadir conta, interceptar comunicação ou comprar dado vazado — isso não é investigação em nenhuma hipótese.

Sites grátis substituem uma ferramenta profissional?

Para responder uma pergunta simples ("essa empresa existe? esse processo é real?"), substituem. Para investigação de verdade — patrimônio oculto, vínculos societários, due diligence — o custo do grátis é o seu tempo e as conexões que você não vê. A conta de qual vale mais é sua.


As fontes desta lista são reais, funcionam e não custam nada. Use. Salve este guia, porque ele resolve a consulta pontual do dia a dia.

Mas quando a pergunta deixar de ser "o que esse CPF tem?" e virar "o que esse CPF esconde?", você já sabe onde a consulta manual para. Teste o Sherlocker grátis por 5 dias e veja o grafo de conexões montar em segundos o que as 15 abas não mostram. Eles escondem. Você encontra.

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